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Diário de Notícias

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Dólar cai 1,29% e fecha abaixo R$ 5,25 após Trump suspender ataques ao Irã

O dólar apresentou queda firme na abertura da semana e voltou a fechar abaixo de R$ 5,25, acompanhando a onda de desvalorização da moeda norte-americana no exterior. A segunda-feira, 23, foi marcada por alívio na aversão ao risco e tombo de dois dígitos dos preços do petróleo, na esteira de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugerem a intenção dos EUA em não promover uma escalada na guerra com o Irã.

Pela manhã, em publicação na Truth Social, Trump disse que houve conversas "muito boas e produtivas" com o Irã para o fim das hostilidades entre países no Oriente Médio, o que o levou a ordenar o adiamento por cinco dias de qualquer ataque à infraestrutura enérgica do país persa. À tarde, Trump reiterou que há "boa chance" de acordo entre os países. Autoridades iranianas negaram abertura de negociações com os EUA, o que moderou parcialmente os ganhos das divisas emergentes.

Depois de subir 1,79% última sexta-feira na casa de R$ 5,30, o dólar terminou o pregão de desta segunda em baixa de 1,29%, a R$ 5,2407, após mínima a R$ 5,2157.

Apesar do escorregão desta segunda, a moeda norte-americana ainda acumula ganhos de 2,08 frente ao real em março, após queda de 2,16% em fevereiro. No ano, as perdas são de 4,52%. O real exibiu no dia o segundo melhor desempenho entre seus principais pares, atrás apenas do peso chileno.

"As declarações do Trump com a suspensão dos ataques de instalações de energia são uma notícia muito positiva, porque reduzem os temores de alta de preços em uma guerra com impacto extremamente inflacionário. Vemos o dólar voltar a ceder depois de ter subido com a busca de investidores por proteção", afirma o economista Ian Lopes, da Valor Investimentos.

Operadores afirmam que o ambiente externo mais benigno abriu espaço para desmonte parcial de posições defensivas armadas na véspera do fim de semana, quando havia riscos de um agravamento do conflito no Oriente Médio. Contribuiu também para apoiar a liquidez no mercado local a venda pelo Banco Central de US$ 1,8 bilhão em leilão de linha (venda com compromisso de recompra) da oferta total de US$ 2 bilhões para rolagem do vencimento de 2 de abril.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY voltou a operar abaixo dos 100,000 pontos, com mínima aos 98,880 pontos. No fim do dia, rondava os 99,140 pontos, em queda de cerca de 0,50%. As taxas dos Treasuries recuaram, com destaque para a baixa de mais de 2% dos rendimentos dos papéis de 2 anos, mais ligados a expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

Os contratos futuros de petróleo caíram cerca 10% com a perspectiva de negociações entre EUA e Irã após as falas de Trump. O contrato do Brent para junho voltou a ser negociado abaixo de US$ 100 o barril. No fim de semana, o presidente americano ameaçou atacar e destruir as usinas elétricas iranianas se Teerã se recusasse a abrir em até 48 horas o Estreito de Ormuz, mas voltou atrás e suspendeu os ataques.

O Goldman Sachs aponta que os termos de troca com a valorização das commodities têm sido o fator-chave para o comportamento das divisas emergentes, embora em certos dias a dinâmica de preços seja dominada pelo sentimento de risco dos mercados. "O real não é exceção. Os temores de troca do Brasil melhoraram de forma significativa no mês, beneficiando o real em termos relativos, mas a moeda teve um desempenho fraco em dias em que o sentimento ao risco mais fraco domina", afirma o banco.

Em relatório, o Goldman alerta que o real pode ser abalado por questões domésticas, como a possibilidade de uma greve dos caminhoneiros similar a ocorrida em maio de 2018. Até o momento, uma nova paralisação foi evitada, mas as pressões para medidas que impeçam uma alta do preço do diesel e seus "custos fiscais associados" vão permanecer elevados. "Isso, ao lado de um declínio maior nos preços cíclicos globais, continua sendo o principal risco para o real", afirma.

Embora alerte que é necessário monitorar esses riscos, o banco aponta que a melhora dos termos de troca, a postura cautelosa do Banco Central e o carry alto dão sustentação à perspectiva de "um desempenho superior do retorno total do real em comparação com outras moedas de mercados emergentes".

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