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O ex-vice-prefeito de Serra do Mel e candidato a prefeito em 2024, José Moabe Zacarias Soares (PSD), escondeu no apartamento do sogro, Aldo Araújo da Silva - controlador-geral do município do Rio Grande do Norte, localizado a 251 quilômetros de Natal - cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo, valor que, segundo a Polícia Federal, é oriundo de desvios na área da Saúde. Nesta terça-feira, 27, Moabe e Aldo foram alvos de buscas da Operação Mederi, que põe sob suspeita outros 14 servidores de cinco municípios potiguares, além de prefeitos e vices.
O Estadão busca contato com a defesa dos citados. O espaço está aberto.
O controlador-geral do município exerce o papel de corregedor. Cabe a ele fiscalizar atos administrativos e a conduta dos servidores, além de examinar denúncias sobre malfeitos na gestão pública.
José Moabe é apontado pela Polícia Federal como o "sócio de fato" da empresa farmacêutica Dismed, companhia que, segundo os investigadores, intermediava o pagamento de propinas a agentes públicos em troca de favorecimento em licitações fraudulentas de medicamentos.
O município de Serra do Mel - base política de Moabe - tem 13 mil habitantes.
Em um diálogo interceptado pela Polícia Federal por meio de escuta ambiental no escritório da Dismed, Moabe revelou o uso do apartamento do sogro, controlador-geral de Serra do Mel, para ocultar o dinheiro do esquema. A declaração foi feita a Oseas Monthalggan, apontado como sócio de Moabe, que, segundo a investigação, também atuava no esquema junto ao 'alto escalão' das gestões municipais.
"Eu vou dizer a você, é arriscado! Aquele apartamento do Aldo eu guardei no apartamento de Aldo quase dois contos (dois milhões). Você está entendendo? Mas aquele negócio, um cara desse aí que tem vinte, trinta conto. Ele tem guardado isso aí, ele tem guardado, ele tem. É doido, ele não dá nada a ninguém!", disse Moabe no áudio captado pelos federais.
"Dá não, dá não! Só com lorota!", concordou Oseas.
Para a PF, a revelação sugere explícita "cumplicidade em atos de lavagem de dinheiro" entre Moabe, Aldo e Oseas, além da "consciência quanto à destinação específica desses recursos".
Na decisão que autorizou as diligências da Operação Mederi, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), Rogério Fialho Moreira, afirmou que "não há como negar a existência de indícios robustos da prática de condutas que teriam resultado em enriquecimento ilícito dos investigados em detrimento de recursos públicos federais transferidos ao Fundo Municipal de Saúde de Serra do Mel".
Operação Mederi
A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, deflagrou, na manhã desta terça-feira, 27, a Operação Mederi, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos da Saúde e fraudes em licitações nos municípios potiguares de Serra do Mel, Mossoró, Paraú, São Miguel e José da Penha.
Os prefeitos de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil); de Paraú, João Evaristo Peixoto (Progressistas); e de São Miguel, Leandro Michel do Rêgo Lima (União Brasil), além do ex-vice-prefeito de Serra do Mel, José Moabe Zacarias Soares (PSD), foram alvos de busca e apreensão. O atual vice de Mossoró, Marcos Bezerra (PSD), também recebeu a visita dos federais.
Em nota, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, informou que "colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas". (leia a íntegra abaixo).
O Estadão busca contato com as defesas dos outros citados. O espaço está aberto.Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, onde três empresas supostamente ligadas às fraudes estão sediadas. Medidas cautelares e patrimoniais também foram aplicadas aos suspeitos.
COM A PALAVRA, O PREFEITO DE MOSSORÓ, ALLYSON BEZERRA
A defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, vem a público esclarecer que, na data de hoje, foi cumprido mandado judicial de busca e apreensão no âmbito de investigação.
A apuração conduzida pelas autoridades federais tem como objeto central contratos firmados entre municípios do Rio Grande do Norte e empresas de medicamentos, envolvendo fatos ocorridos em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró.
Pelo que já se teve acesso, não há qualquer fato que vincule pessoalmente o prefeito Allyson Bezerra, tendo a medida sido deferida com base em diálogos envolvendo terceiras pessoas, não se podendo dar maiores detalhes em razão do sigilo da investigação.
O cumprimento da medida cautelar decorre de decisão judicial proferida em fase investigativa, sem qualquer juízo de culpa, sendo importante destacar que o prefeito Allyson Bezerra não foi afastado de suas funções e não sofreu qualquer medida pessoal restritiva.
Desde o primeiro momento, o prefeito colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas, em respeito às instituições e à legalidade, convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta.
Como medida preventiva e de fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência, ainda em dezembro de 2023, o prefeito Allyson Bezerra editou o Decreto nº 6.994/2023, que tornou obrigatória a utilização do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica - Hórus como sistema oficial de controle de estoque e dispensação de medicamentos no âmbito da Prefeitura de Mossoró, além de atribuir à Controladoria Geral do Município a responsabilidade direta pela fiscalização e acompanhamento de sua correta utilização.
A defesa reafirma a confiança no trabalho das autoridades, nas garantias constitucionais, na preservação da presunção de inocência.
O prefeito Allyson Bezerra segue exercendo normalmente suas funções, com foco na gestão pública, na transparência administrativa e no interesse da população de Mossoró.
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