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Diário de Notícias

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Doenças “da enchente”: água contaminada eleva risco de infecções em áreas alagadas

Com o avanço das chuvas intensas e os alagamentos registrados em diferentes regiões do país, um alerta volta a ganhar força: a água da enchente pode se transformar em um grave problema de saúde pública. Misturada a esgoto, lixo, urina de animais e resíduos diversos, ela se torna um ambiente propício para a proliferação de bactérias e vírus capazes de provocar doenças sérias.

Entre as principais enfermidades associadas às enchentes está a leptospirose, transmitida pelo contato com água contaminada pela urina de ratos. A infecção pode ocorrer tanto pela ingestão quanto pelo simples contato com a pele, especialmente se houver cortes ou arranhões. Febre alta, dor de cabeça intensa e dores musculares são sintomas comuns, e cerca de 5% dos casos podem evoluir para formas graves, com risco de complicações renais e pulmonares.

Outra doença frequente é a hepatite A, causada por vírus transmitido por água ou alimentos contaminados. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, diarreia e icterícia — quando a pele e os olhos ficam amarelados. A febre tifoide também preocupa: provocada pela bactéria Salmonella typhi, ela pode atingir a corrente sanguínea e gerar febre prolongada, dor abdominal e mal-estar que pode durar semanas. Já a diarreia infecciosa costuma surgir após a ingestão de água ou alimentos contaminados, muitas vezes de forma rápida, levando à desidratação, especialmente em crianças e idosos.

Especialistas reforçam que qualquer item que tenha tido contato com a água da enchente deve ser descartado. Alimentos, mamadeiras, chupetas, medicamentos, ração animal e até objetos de madeira podem acumular microrganismos prejudiciais à saúde. A higienização adequada da casa, com uso de água sanitária e equipamentos de proteção como botas e luvas, também é fundamental durante a limpeza pós-enchente.

Ficar atento aos sinais do corpo é essencial. Febre, calafrios, náuseas, vômitos, diarreia persistente, urina escura, fezes claras, fraqueza, cansaço e falta de apetite são sintomas que exigem avaliação médica, principalmente após contato com áreas alagadas. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar uma unidade de saúde e informar sobre a exposição à enchente para que o diagnóstico seja feito o quanto antes.

Em períodos de chuva intensa, prevenção e informação são as principais aliadas. Evitar contato desnecessário com água de enchente, consumir apenas água tratada ou fervida e reforçar cuidados com a higiene podem fazer a diferença entre atravessar o período chuvoso com segurança ou enfrentar complicações que poderiam ser evitadas.


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