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Debate sobre a duração dos filmes no contexto das salas de cinema

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Recentemente, Clare Binns, diretora criativa da rede de cinemas Picturehouse no Reino Unido, fez um apelo aos cineastas para que considerem produzir filmes mais curtos se quiserem manter e aumentar o público nas salas de cinema. Segundo Binns, o crescimento constante do tempo de duração dos filmes tem criado desafios logísticos e práticos para os exibidores e para o próprio público.

Principais pontos levantados no debate

1. Logística de exibição limitada

Binns destacou que filmes muito longos limitam o número de sessões que um cinema pode programar por dia, já que uma obra com mais de três horas pode ocupar grande parte do tempo útil da sala. Isso significa que filmes extensos podem reduzir as oportunidades de bilheteria ao permitir menos sessões ao longo do dia, o que preocupa especialmente cinemas menores ou independentes.

2. Experiência do público

Outro elemento central da argumentação é que a experiência do espectador pode ser diminuída com durações excessivas. Binns afirmou que muitos filmes poderiam perder cerca de 20 minutos sem prejudicar a história, e que uma duração menor tornaria a ida ao cinema mais confortável e atraente para um público que está acostumado a conteúdos mais rápidos e direto ao ponto.

3. Tendência histórica de aumento da duração

Há um reconhecimento mais amplo de que, ao longo das décadas, a média de duração dos filmes aumentou significativamente. Filmes modernos como Killers of the Flower Moon e The Brutalist que ultrapassam o marco de três horas acabam sendo citados como exemplos desse movimento de crescimento de tempo que pode afetar o interesse do espectador e a programação das salas.

4. Impacto da pandemia e consumo doméstico

O debate também se insere num contexto pós-pandemia, quando o público se acostumou a consumir entretenimento em casa, por meio de serviços de streaming. A preocupação dos exibidores é que, para que o público volte cada vez mais às salas físicas, a experiência precisa ser vantajosa em comparação com a conveniência dos serviços domésticos — e a duração dos filmes faz parte dessa equação.

Repercussão e repercussões na indústria

O apelo de Binns repercutiu amplamente na imprensa especializada e nas redes sociais de cinéfilos, com debates acalorados sobre criatividade artística versus demandas comerciais. Enquanto alguns argumentam que a arte cinematográfica não deve ser “confinada” a tempos pré-determinados, outros concordam que conciliar narrativa e atenção do público é essencial na era atual.

Em suma, o debate sobre a duração dos filmes reflete tensões entre as necessidades comerciais das salas de cinema, os hábitos de consumo do público contemporâneo e as liberdades artísticas dos cineastas, com diferentes vozes na indústria clamando por adaptação ao novo cenário de exibição e competição com o streaming.

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