O plano frustrado da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), um braço comercial da entidade para vender ações da Copa do Mundo, para investidores foi estruturado por Dan O'Toole, irlandês que é diretor do escritório executivo da entidade máxima do futebol. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Times.
De acordo com a publicação, O'Toole é um dos homens de confiança de Gianni Infantino, presidente da Fifa, e teve papel central no planejamento da FFE. Ele fez parte de um grupo de dirigentes que teve a missão de desenvolver o plano ao longo de vários meses antes de a proposta vir à tona.
"Infantino utilizou um pequeno grupo de dirigentes para elaborar o plano, a maioria dos quais era muito inexperiente ou tinha muito medo de apontar que ele estava, na prática, vendendo a alma do futebol por dinheiro".
Já o The New York Times afirma que Dan O'Toole fez parte de um grupo de três dirigentes que aprovaram o acordo antes do prazo final, enquanto dois não o fizeram. Os outros dois foram o secretário-geral Mattias Grafström, o diretor jurídico Emilio Garcia. O diretor de operações Kevin Lamour e o diretor financeiro Thomas Peyer recusaram-se a apoiar a proposta.
Ainda de acordo com o NYT, O'Toole, com um perfil mais jovem, foi escolhido a dedo por Infantino para trabalhar no contato com banqueiros durante a elaboração da proposta. O presidente da Fifa manteve a ideia da FFE restrita a um grupo pequeno de dirigentes, mesmo negociando a venda das ações para a JP Morgan e a Thrive Capital, empresa de private equity de Josh Kushner, genro de Donald Trump.
O projeto veio à tona após publicação do The Times, em 28 de julho, e a Fifa se manifestou no mesmo dia para explicar a proposta, vender de 20% a 30% da investidores privados. Para convencer o colégio eleitoral do futebol mundial, a Fifa havia estruturado um plano inicial de repasses às 211 federações nacionais filiadas, em programa denominado Fifa Fast-Forward (FFFP). Para financiar esta primeira fase, a FFE pretendia captar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) no mercado.
Lideradas pela Uefa, federações ao redor do mundo demonstraram preocupação quanto ao processo e falta de transparência na condução da proposta. Em 31 de julho, a Fifa anunciou a desistência da ideia. Dias depois, a entidade emitiu uma carta com um pedido de desculpas às filiadas pela falta de diálogo e prometeu não levar a proposta adiante.
O estrago, porém, já havia sido feito. A pressão das confederações de futebol é gigante por uma saída honrosa do cartola ítalo-suíço do comando da Fifa. Infantino não está disposto a abrir mão do cargo e tem o apoio da Conmebol, da Confederação Africana e algumas federações da Ásia e da Concacaf, como o México. A Uefa, que ameaça boicotar a Copa do Mundo caso o dirigente permanece no cargo, trabalha nos bastidores para a escolha de um substituto visando a eleição de março de 2027.
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