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CPTM diz que greve afeta quase 1 milhão de passageiros com pauta 'que não é trabalhista'

O presidente da CPTM, Michael Cerqueira, disse nesta quarta-feira, 5, que a greve de ferroviários afeta um milhão de pessoas e é motivada por questões políticas e não trabalhistas. A categoria paralisa pelo segundo dia consecutivo a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O sindicato nega e afirma que cobra a garantia da manutenção de empregos após as concessões.

"Infelizmente eles não entendem ou não acatam o que está sendo colocado (...) eles estão politizando a pauta, eles não estão discutindo uma questão trabalhista, eles estão querendo discutir reestatização e que não é uma pauta trabalhista, e prejudicando a população. Nós não podemos prejudicar a população por uma questão que nada tem a ver com uma pauta trabalhista, momento eleitoral, questão política", afirmou.

Os funcionários reivindicam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.

De acordo com os grevistas, 2.300 pessoas correm o risco de perder o emprego caso os trabalhadores da companhia não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.

Na avaliação do presidente da CPTM, não é necessário formalizar o compromisso de garantir os empregos uma vez que não há um plano de demissão.

"Nós estamos aqui dizendo que eu preciso escrever que os empregos estão garantidos, mas aonde foi dito que as pessoas serão demitidas? (...) O que estava acontecendo era um realocamento desses colaboradores, a gente precisa de tempo, isso não acontece da noite para o dia, a gente precisa de tempo, a gente precisa de negociação, os colaboradores precisam aceitar serem realocados. Não é puxando faca, não é fazendo pressão, não é usando a população como massa de manobra, que vai fazer com que o governo do Estado tome uma decisão diferente da que já foi tomada."

Ainda segundo Cerqueira, o sindicato segue sem cumprir a determinação judicial e opera com um efetivo abaixo do mínimo. "O contingente continua abaixo, o desrespeito à decisão do TRT continua acontecendo, (...) a questão da imposição da multa está mantida pelo Tribunal".

A categoria e o governo devem se reunir por volta das 12h em uma audiência de conciliação "A gente espera que o sindicato tenha o bom senso de aceitar, a gente pode manter qualquer conversa e negociação como a gente vem mantendo há mais de um ano com eles, mas a população não pode ser prejudicada."

Projeto de Lei

Os funcionários da empresa têm defendido o Projeto de Lei 730/2025, do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, após o serviço passar a ser feito por empresa privada.

Desde o último dia 24, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a TriviaTrens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.

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