Nove meses depois de Belém sediar a primeira conferência do clima realizada na Amazônia, a agenda climática internacional se prepara para o próximo capítulo. A COP31 está marcada para 9 a 20 de novembro de 2026, no Centro de Exposições de Antália, na Turquia. O encontro reúne novamente delegações de quase 200 países, além de cientistas, empresas, organizações da sociedade civil e povos indígenas, e chega com uma pergunta incômoda na bagagem: o que de fato saiu do papel desde a Amazônia.
A definição da sede foi ela própria um capítulo de negociação. A Austrália vinha articulando havia três anos para sediar a conferência em Adelaide, enquanto a Turquia mantinha sua candidatura. O impasse só foi resolvido durante a própria COP30, com um acordo de convivência: a Turquia recebe o evento e o ministro Murat Kurum assume a presidência da conferência, enquanto o australiano Chris Bowen, ministro da Mudança Climática e Energia, comanda a condução das negociações. É um arranjo inédito, que divide o protagonismo entre um país-anfitrião e um país-negociador.
A herança de Belém é o principal item na mesa. A COP30 foi encerrada em 22 de novembro de 2025 com a aprovação, por 195 países, do chamado Pacote de Belém — um conjunto de decisões que consolidou o Mutirão Global, reforçou a agenda de adaptação e criou mecanismos de acompanhamento da transição para fora dos combustíveis fósseis. O texto, no entanto, saiu mais brando do que pretendia parte das delegações e das organizações ambientalistas, que cobravam um cronograma explícito de abandono do carvão, do petróleo e do gás. Grupos como o Greenpeace classificaram o resultado como aquém do necessário diante da urgência científica.
Em Antália, o teste será de execução, não de retórica. A conferência deve discutir o financiamento climático para países em desenvolvimento, a revisão das metas nacionais de redução de emissões, os instrumentos de adaptação para populações vulneráveis e o corte de subsídios aos combustíveis fósseis. Para o Brasil, que ocupou a presidência da COP30, o encontro representa uma prova de continuidade: manter influência nas negociações e demonstrar que os compromissos assumidos em casa produziram resultados mensuráveis.
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