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Diário de Notícias

DN.

Com perda de 5% na semana e abaixo de 180 mil, Ibovespa cai para nível de 26/1

Com contribuição importante de Petrobras após o balanço de 2025, o Ibovespa lutou ao menos para preservar a linha dos 180 mil pontos nesta semana em que acumulou perda de 4,99%. Porém, a pressão exercida pelo setor de metais e pelas ações de bancos colocou o índice aos 179.364,82 pontos no fechamento, em baixa de 0,61%. Com a tensão no Oriente Médio, o barril do Brent avançou 27% na semana e o do WTI, 35%, o que reforça as preocupações em torno da inflação global e da trajetória dos juros em um cenário geopolítico ainda incerto. Em Londres, o contrato futuro mais líquido do Brent subiu hoje 8,5% e, em NY, o do WTI, 12%, o que colocou ambas as referências acima de US$ 90 por barril.

A perda semanal do Ibovespa - no negativo pelo segundo intervalo consecutivo - foi a maior para o índice desde o período entre 7 e 11 de novembro de 2022 (-5,00%). Entre a mínima e a máxima desta sexta-feira, oscilou dos 178.556,49 até os 181.091,01 pontos, tendo saído de abertura aos 180.463,44. O giro financeiro foi a R$ 32,6 bilhões na sessão. No ano, o Ibovespa sobe 11,32%. No fechamento desta sexta-feira, 6, o Ibovespa foi ao menor nível desde 26 de janeiro, então a 178,7 mil.

Na sessão, além da escalada do petróleo e da boa recepção ao balanço do quarto trimestre, a alta firme de Petrobras (ON +4,12%, PN +3,49%) pareceu refletir, também, um movimento de rotação a partir de setores de peso punidos pela aversão global a risco, como o metálico - destaque para Vale ON, em queda de 2,99%, e CSN ON, de 4,26% - e o financeiro, que mostrou recuo de até 2,51% (Santander Unit) no encerramento.

No começo da tarde, as ações de Petrobras ganharam impulso adicional durante a teleconferência sobre os resultados da empresa. Nela, a presidente da companhia, Magda Chambriard, reiterou que a política de preços da estatal considera tanto momentos de queda do barril do petróleo, como no ano passado, como no de alta, cenário atual.

"Vale a mesma coisa até agora", destacou, no que foi interpretado como um aceno de que os preços domésticos, na refinaria, podem vir a subir caso a escalada das cotações internacionais prossiga sem trégua. Mais cedo, nesta semana, a estatal havia indicado que não repassa a volatilidade externa para os preços internos.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, além das duas ações de Petrobras, destaque também para outros nomes do setor de energia, como Brava (+4,61%), Prio (+4,27%) e Vibra (+2,31%). No lado oposto, além de CSN, apareceram Embraer (-8,05%), Vamos (-7,24%) e Raízen (-6,78%).

"Depois de um início de ano muito forte para a Bolsa brasileira, março começou com um certo ajuste de rota. O índice já vinha esticado, e quando o mercado está assim, qualquer notícia negativa vira gatilho para uma realização mais ampla", resume Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, referindo-se à percepção de risco global desde o ataque deflagrado no último sábado por EUA e Israel ao Irã, com desdobramentos ainda em andamento e reflexos não apenas para o mercado de ações e os preços do petróleo, mas também para o câmbio e os juros futuros.

No ano, os ganhos acumulados pelo Ibovespa, de 17,17% até o fechamento de fevereiro na sexta-feira anterior aos ataques, estão agora em 11,32%. Em dólar, o Ibovespa subia 25,26% até a última sexta-feira, em 2026. Agora, considerando também a apreciação de 2,14% do dólar frente ao real na semana, está em 16,52%. Na sessão, a moeda americana caiu 0,82%, a R$ 5,2438. Em Nova York, na sessão, Dow Jones -0,95%, S&P 500 -1,33% e Nasdaq -1,59%.

"O presidente Trump tem projetado repetidamente um prazo de pelo menos quatro a cinco semanas para encerrar o conflito, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que não há limite para o direito de autodefesa do país. Atribui-se, agora, apenas uma chance em 3 de que as operações militares dos EUA terminem até o fim de março, abaixo dos mais de 80% de possibilidade logo após o ataque de sábado", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, referindo-se a dados da Polymarket, uma plataforma global de projeções de mercado.

Neste contexto de crescente incerteza geopolítica, o quadro das expectativas para as ações no curtíssimo no Termômetro Broadcast Bolsa, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, desta sexta mostra um mercado dividido. Entre os participantes, 37,50% disseram esperar alta para o Ibovespa na próxima semana e outros 37,50% preveem variação neutra, contra 50,00% e 25,00%, respectivamente, na pesquisa da semana passada. A fatia dos que projetam queda manteve-se em 25,00%.

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