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Coface vê globalização resiliente, apesar de tarifas, e PIB mundial desacelerando pouco em 2026

Após o grande temor com a nova política tarifária dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, o fluxo comercial permaneceu forte em 2025 e o choque sobre a economia global foi menos intenso do que o projetado inicialmente projeto, avalia a Coface. Durante apresentação de cenário global da seguradora francesa, que aconteceu em Paris, nesta terça-feira, 16, os economistas da Coface pontuaram que o balanço em relação a 2025 foi de uma globalização que permaneceu resiliente e, por isso, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, deve desacelerar apenas marginalmente em 2026.

"É surpreendente que o PIB tenha crescido cerca de 2,8% em 2025, por conta de toda a volatilidade e turbulência que houve", frisou o head de economia da Coface, Ruben Nizard, durante a apresentação. Nesse sentido, ele chamou a atenção para o que considera ser uma enorme capacidade de adaptação, especialmente de grandes empresas, de diversificar mercados e sustentar a corrente de comércio em níveis semelhantes aos de anos anteriores, sem as tarifas.

Para 2026, essa resiliência deve permanecer e sustentar uma desaceleração novamente apenas marginal no PIB global, que deve atingir alta de cerca de 2,6%, pelo cenário-base da seguradora. Alguns riscos de baixas, porém, já estão mapeados, com destaque para os riscos geopolíticos na América Latina e Groenlândia; endividamento em um cenário de juros altos; novas incertezas com a política econômica americana e a possibilidade de alguma "correção" no forte desempenho das empresas de Inteligência Artificial.

O comportamento econômico também tende a ser desigual, na avaliação da corretora. Nesse caso, a principal "responsável" pelo menor crescimento agora deve ser a China, cujo crescimento do PIB deve passar de 5% em 2025 para 4,6% em 2026, conforme detalhou o head de macroeconomia da Coface, Bruno Fernandes. Já na Europa, as perspectivas são mais positivas, com destaque para a Alemanha, que deve voltar a expandir em meio ao aumento dos gastos do governo.

Energia e comida para baixo, metais para cima

Em relação ao preço global de commodities, a Coface prevê uma dicotomia, com energia e comida apontando para baixo e riscos de alta para os metais. A expectativa é de que o barril de petróleo desacelere de US$ 68 em 2025 para US$ 60 em 2026, enquanto os alimentos devem ser beneficiados pelas boas perspectivas para a produção agropecuária global. Em relação aos metais, Nizard pontuou que tratam-se de itens com oferta bastante inelástica e em um contexto de demanda crescente de setores como Inteligência Artificial e Defesa militar, o que tende a pressionar esses preços.

*O repórter viajou a convite da Coface

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