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Um celular da Barbie sem Instagram ou TikTok? Conheça o aparelho retrô

Um celular da Barbie sem Instagram ou TikTok? Conheça o aparelho retrô

Ele é rosa da cabeça aos pés, dobra ao meio como os celulares do começo dos anos 2000, tem teclado físico, tampa espelhada para dar aquela conferida no cabelo e vem com o jogo da cobrinha — inclusive numa versão temática chamada Malibu Snake. O HMD Barbie Phone é fruto de uma parceria entre a Mattel e a HMD, empresa que fabrica os aparelhos da marca Nokia, e sua principal característica é justamente aquilo que ele não tem: nada de Instagram, TikTok, WhatsApp ou qualquer outro aplicativo de terceiros. A proposta é clara e assumida — vender um celular que serve para ligar, mandar mensagem e pouco mais.

Antes de qualquer coisa, um esclarecimento importante: este não é um lançamento de 2026. O aparelho foi anunciado em 27 de agosto de 2024 e começou a ser vendido no mercado internacional no dia seguinte, chegando aos Estados Unidos em 1º de outubro daquele ano, por US$ 129. Também não é bem um produto "do filme": o longa da Barbie estreou em julho de 2023, e o gancho oficial da campanha foi o aniversário de 65 anos da boneca. O que acontece desde então é que o telefone ganhou vida longa como item de nicho e volta a circular nas redes sociais em ondas periódicas, sempre associado ao tema do "detox digital". Hoje ele está esgotado nos canais oficiais e aparece em revendedores especializados a preços bem acima do original — perto de US$ 219 nos Estados Unidos.

Na ficha técnica, vale saber que existem duas versões diferentes, o que costuma gerar confusão. A internacional é a mais simples: câmera de apenas 0,3 megapixel, sem Wi-Fi e sem GPS. A americana traz câmera de 5 megapixels, Wi-Fi e GPS. Ambas têm tela interna de 2,8 polegadas, uma telinha externa de 1,77 polegada que mostra hora e chamadas, bateria removível de 1.450 mAh que pode durar uma semana inteira, entrada para fone de ouvido, rádio FM e carregamento por USB-C. A caixa vem no formato de porta-joias e inclui duas tampas traseiras extras, um cordão de miçangas com berloques em formato de patins e sorvete, além de adesivos retrô. Uma ressalva honesta: dizer que ele é "sem internet" é simplificar. O aparelho tem conexão 4G e, em algumas versões, um navegador embarcado — só que tão limitado que resenhas o descreveram como praticamente inutilizável.

O sucesso do aparelho se explica melhor pelo contexto do que pela tecnologia. A própria HMD divulgou crescimento de dois dígitos nas vendas globais de celulares básicos por dois anos consecutivos, e a consultoria Counterpoint Research registrou o avanço do movimento "dumbphone" nos Estados Unidos, impulsionado por gente da geração Z buscando menos tempo de tela. Ainda assim, é preciso dimensionar: esses aparelhos representam pouco mais de 2% do mercado americano de celulares — um nicho cultural em crescimento, não uma virada de mercado. Quem se interessou no Brasil, aliás, precisa recorrer à importação: o país nunca entrou na lista oficial de mercados do produto, que foi vendido em 23 países, e a parceria da HMD com sua distribuidora brasileira já havia se encerrado à época do lançamento. Não há, até agora, anúncio de uma nova versão do celular da Barbie.

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