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Diário de Notícias

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Cautela com Brasil joga Ibovespa para baixo, em meio à ata do Copom e IPCA

Apesar do viés de alta da maioria dos índices das bolsas em Nova York, o Ibovespa opera nas mínimas nesta terça-feira, 11, influenciado principalmente por ações de primeira linha - indicativo de saída de capital estrangeiro. Além da cautela global, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, há temores domésticos, sobretudo com o fiscal a poucos meses da eleição.

Após iniciar a sessão estável em 162.180,01 pontos, subiu 0,12%, na máxima aos 172.385,51 pontos, e, em seguida, caiu 0,95%, para mínima de 170.551,26 pontos.

Investidores da B3 iniciaram o pregão desta terça-feira digerindo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em dia de agenda esvaziada no exterior.

Após cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, na semana passada, na ata, o Banco Central reafirmou que a magnitude do ciclo de juros será ajustada "à luz da evolução do cenário". Segundo o colegiado, choques de oferta têm influenciado a trajetória recente e a prospectiva da inflação.

Ainda, o Colegiado reafirmou que o balanço de riscos tem assimetria altista e que a atividade econômica manteve trajetória de moderação como antecipado pelo colegiado. Por enquanto, a avaliação é de um comunicado mais duro, mas que não fecha a porta para novas queda da Selic.

Já o IPCA de julho ficou em 0,07%, ante mediana de 0,03%, alcançando alta de 4,44% em 12 meses, também acima do esperado (4,40%). Segundo Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, como a diferença entre o realizado e o projetado pelos analistas foi bem pequena, acredita que o Copom ainda terá um tom mais cauteloso, observando outras diretrizes de fora e outros dados de inflação para os próximos meses.

"Não acredito que estes dados do IPCA vão ter impacto nas próximas decisões de juros", diz Magno, que vê a Selic fechando 2026 em 13,75%, dos atuais 14%.

De acordo com João Debom, sócio da Supernova Investimentos, o ideal é entender que as divulgações - ata e IPCA - medem coisas diferentes. "O IPCA de julho fala do presente - e o presente está comportado", diz. Já a ata indica o futuro. "E é sobre o futuro que o Banco Central segue desconfiado, porque sabe que parte da desaceleração recente tem componente sazonal (alimentos, especialmente) e pode não se sustentar quando a economia reagir aos cortes de juros já feitos", avalia Debom.

No exterior, o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que mantém o Estreito de Ormuz fechado, gera instabilidade nas cotações do petróleo.

Entre os balanços, o BTG Pactual teve alta anual de 23% no lucro líquido ajustado, e a Caixa Seguridade, avanço de 9,5%. Já a Natura registrou recuo de 92,1% no lucro líquido.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,19%, aos 172.179,93 pontos. Em Dalian, o

minério de ferro subiu 1,26%, mas as ações do setor recuam. Vale perdia 0,33%. Petrobras cedia quase 1,5%.

Entre bancos, só Unit de Santander subia (1,06%). Segundo analistas, há sinais de saída de capital estrangeiro da B3. O Ibovespa caía 1,07%, na mínima em 170.342,58 pontos, ante alta de 0,12%, na máxima em 172.385,51 pontos, e abertura em 172.180,01 pontos.

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