Um alerta renovado no campo da saúde pública volta a chamar atenção para um dos cânceres mais evitáveis do mundo. Especialistas brasileiros destacam que o câncer de colo do útero continua fazendo milhares de vítimas no país, apesar de existir vacina e métodos de rastreamento capazes de prevenir praticamente todos os casos da doença.
Segundo pesquisadores ouvidos pela Agência FAPESP, o principal fator por trás da persistência da doença é a desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Embora a vacinação contra o HPV e o exame preventivo (Papanicolau) estejam disponíveis, grande parte da população feminina ainda não realiza acompanhamento regular. Isso faz com que tumores que poderiam ser evitados ou diagnosticados precocemente acabem evoluindo para quadros mais graves.
A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) é responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do útero. De acordo com especialistas, a vacinação pode prevenir cerca de 99% dos casos, desde que seja aplicada antes do contato com o vírus e acompanhada por programas eficazes de rastreamento da doença. Mesmo assim, a cobertura vacinal ainda é considerada insuficiente em várias regiões do país.
Para pesquisadores e profissionais de saúde, o combate à doença passa necessariamente por políticas públicas mais amplas, que ampliem a vacinação, reforcem campanhas de prevenção e garantam acesso a exames em todo o território nacional. O consenso entre especialistas é claro: quando prevenção e diagnóstico precoce funcionam, o câncer de colo do útero deixa de ser uma sentença e passa a ser uma doença amplamente evitável.
0 Comentário(s)