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'Brasil precisa definir seu objetivo se quiser ganhar com a economia global de IA'

O Brasil precisa definir seus objetivos estratégicos como nação se deseja se beneficiar da nova economia impulsionada pela tecnologia da inteligência artificial (IA), porque potencial há para ocupar uma posição de destaque no cenário global. A conclusão vem de Alexandre Ramos Coelho, professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), e da colunista do UOL Aline Sordili, durante o painel A corrida do século: a disputa tecnológica entre EUA e China, realizado nesta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week (SPIW).

Ambos os painelistas lembraram que o Brasil tem relações importantes tanto com os Estados Unidos quanto com a China, as duas nações que lideram a corrida no desenvolvimento da IA. Enquanto o país asiático se consolidou como o principal parceiro comercial brasileiro desde 2009, os norte-americanos são responsáveis por diversos investimentos no País. Por isso, o Brasil evita escolher um dos lados.

Mas mesmo assim o Brasil está diante de grandes oportunidades de desenvolvimento econômico em meio à disputa entre as duas potências globais pela IA. Falta, porém, um direcionamento claro do que o País deseja.

"O mais importe aqui é o País saber qual rumo irá tomar nesse contexto geopolítico. Precisamos definir nossos objetivos. Se não tivermos objetivos muito claros, não conseguiremos captar nada de bom de nenhum dos lados nessa onda", diz o professor.

No tocante às terras raras, por exemplo, apenas a China tem capacidade de refinar os minerais críticos para a produção da infraestrutura tecnológica de IA - chips e data centers. O país asiático, no entanto, não domina as reservas globais. "A China processa 85% das terras raras globais, mas controla o gargalo, não as reservas. Brasil, Austrália e Vietnã têm reservas, mas dependem do refino industrial chinês", diz Coelho.

Encontro de Trump com Xi na China

Aline e Coelho falaram também do encontro que os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, tiveram nesta semana. O ponto que mais chamou a atenção, disseram, foi a pauta de Taiwan trazida pelo líder chinês. Tal território representa bem a disputa entre os dois países em torno da tecnologia e a interdependência no mercado de chips. A NVIDIA depende da TSMC para a dominância no mercado de chips de IA, pois a empresa taiwanesa é quem constrói os componentes de valor agregado, enquanto a norte-americana projeta os itens.

"O que Xi quer é que os EUA simplesmente digam: 'Taiwan é problema seu, China'. Mas os EUA não podem fazer isso porque Taiwan é primordial no fornecimento de chips para o mercado norte-americano", explica o professor. A pauta, agora, se mostra de extrema importância para o País. "Precisamos acompanhar essa questão com atenção porque envolve tecnologia, soberania e terras raras, o que interessa ao Brasil", completa.

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.

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