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Diário de Notícias

DN.

Americano preso por agredir filho no RS já era suspeito de maus-tratos em outros dois Estados

O americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, preso por agredir o filho de apenas três anos em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, já havia sido alvo de investigações por suspeitas de maus-tratos contra os filhos em São Paulo e em Santa Catarina.

O homem foi preso em flagrante em 5 de junho, logo após o crime. Em depoimento à Polícia Civil, Dandre assumiu a autoria do crime e alegou que teria agredido o menino Oliver Golden Grayson após ele se recusar a lhe dar "bom dia". Ele afirmou ainda ter desferido socos no peito e no abdômen de Oliver, além de ter batido com a cabeça do menino contra o chão. A defesa de Dandre não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.

Além de Oliver, Dandre e Mayanna Angelina Rodgers, que foi presa preventivamente na quinta-feira, 9, também são pais de outras quatro crianças, que foram levadas para uma instituição de acolhimento. A defesa de Mayanna afirmou que ela é "vítima" e "se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritual".

A família reside no Brasil há nove anos e estava no Rio Grande do Sul desde agosto do ano passado. Antes, morou em pelo menos outras duas cidades: Águas de Lindóia (SP) e Palmitos (SC).

Em Águas de Lindóia, um processo por maus-tratos chegou a ser instaurado, mas acabou arquivado. Procurado pelo Estadão, o Ministério Publico do Estado de São Paulo (MP-SP) não retornou. O espaço segue aberto.

Já em Palmitos a investigação começou após denúncias anônimas de vizinhos, em março de 2025, segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). O órgão informou que, após as testemunhas relatarem supostas agressões físicas contra um dos filhos do casal, o Conselho Tutelar, acompanhado da Polícia Militar e do promotor de Justiça da comarca, foi até a residência da família para verificar a situação.

De acordo com o MP-SC, não foram encontrados hematomas, lesões ou qualquer outro sinal que indicasse agressão física, e todas as crianças estavam bem vestidas e em bom estado de saúde. No entanto, devido às denúncias recebidas e aos registros anteriores envolvendo a família em São Paulo, os órgãos responsáveis optaram, por cautela, pelo acolhimento das crianças, que durou cerca de três meses.

Nesse período, a família foi acompanhada pela rede de proteção e passou por avaliações psicológicas e sociais. "As perícias psicológicas concluíram que o pai e a mãe possuíam plenas condições psíquicas para exercer a guarda dos filhos", afirmou o MP-SC.

O órgão acrescentou que o estudo social concluiu não haver elementos suficientes para confirmar a ocorrência de violência doméstica ou maus-tratos contra as crianças e que a permanência no acolhimento vinha causando prejuízos emocionais, especialmente ao filho mais velho.

Ainda segundo o MP-SC, um relatório elaborado pelo Serviço de Proteção Social Especial de Alta Complexidade do município registrou que, durante as visitas assistidas, as crianças demonstravam forte vínculo afetivo com os pais. "Com base nas avaliações técnicas realizadas durante o acompanhamento, em junho de 2025, por ordem da Justiça, as crianças retornaram ao convívio da família", informou o órgão.

O MP-SC disse que a família continuou sendo acompanhada, sem o registro de novas ocorrências relacionadas a maus-tratos. Como Dandre, Mayanna e os filhos se mudaram para Viamão em agosto do ano passado, o órgão solicitou que o caso fosse encaminhado à Vara da Infância e da Juventude de Viamão, para que a rede de proteção local, em articulação com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), desse continuidade ao acompanhamento da família.

"O pedido foi deferido pelo Poder Judiciário de Santa Catarina em setembro de 2025, ocasião em que os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário gaúcho", acrescentou.

O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), afirmou que a gestão municipal já acompanhava a família desde 27 de novembro de 2025, após uma enfermeira de uma unidade de saúde identificar hematomas em Oliver. Segundo ele, desde então, as equipes realizaram reuniões presenciais com os pais e foram até a casa da família.

Bortoletti disse que uma nova visita à residência, que ocorreria sem a presença de Dandre, estava marcada para quinta-feira, quando seria tomada a decisão final sobre o acolhimento das crianças.

As autoridades do Rio Grande do Sul acionaram a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para obter informações sobre Dandre. O objetivo é apurar se o missionário religioso já foi investigado por crimes anteriores nos Estados Unidos.

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