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Agosto é o mês esquecido do calendário — e o melhor momento do ano para viajar pelo Brasil

Agosto não tem feriado nacional, não tem férias escolares e não aparece em nenhuma lista de "meses mágicos" para viajar. É exatamente por isso que ele funciona. As passagens ficam mais baratas, as pousadas abrem espaço, os atrativos naturais entram na melhor fase do ano e as filas dos destinos mais famosos encolhem. Enquanto 40% dos viajantes brasileiros já assumem preferir a baixa temporada, agosto desponta como o período mais vantajoso da estação para quem quer viajar gastando menos.

O momento também é de recorde para o setor. O Brasil recebeu 5.261.733 turistas internacionais no primeiro semestre de 2026, com 3.531.233 desembarques por via aérea — crescimento de 13,3% sobre o mesmo período de 2025 e o maior volume da série histórica para um primeiro semestre. Só de janeiro a maio, os estrangeiros injetaram US$ 4,8 bilhões na economia brasileira, alta de 11,6% na comparação anual. A Embratur projeta que o país chegue pela primeira vez à marca de 10 milhões de visitantes estrangeiros em um único ano. Os argentinos seguem sendo o maior grupo, com quase 2 milhões de chegadas no semestre, seguidos por chilenos, americanos, uruguaios e paraguaios.

Para quem mora aqui, a boa notícia é que os melhores cenários do país estão no auge justamente agora. Veja onde ir.

Lençóis Maranhenses (MA): a janela que fecha

Se existe um destino com prazo de validade, é este. As lagoas entre as dunas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ficam cheias entre junho e agosto, formando os oásis que fizeram a fama do lugar — e começam a secar depois disso. A vantagem de ir em agosto em vez de julho é direta no bolso: o visual continua no ponto máximo, mas os preços já cedem em relação à altíssima temporada.

Para explorar o parque, é preciso escolher uma base. Barreirinhas é a mais estruturada e recebe a maior parte dos visitantes, sendo também o ponto de partida para a Lagoa Azul e a Lagoa Bonita. Santo Amaro e Atins atendem quem prefere menos gente e mais silêncio.

Bonito (MS): águas cristalinas e festival de graça

O inverno é consenso como a melhor época para Bonito. Com menos chuva, os rios ficam mais transparentes e garantem visibilidade quase perfeita para flutuação e mergulho. Os clássicos continuam sendo a Gruta do Lago Azul e as flutuações nos rios da Prata e Sucuri e no Aquário Natural.

Neste ano tem um bônus: o Festival de Inverno de Bonito acontece de 26 a 30 de agosto, com entrada gratuita em todas as atividades. A programação mistura shows nacionais, artes visuais, dança, teatro, cinema, artesanato e gastronomia regional, com a Praça da Liberdade como palco principal e atrações espalhadas pela cidade. Entre os nomes confirmados estão Ferrugem, no dia 27, Leo Foguete, no dia 28, e Seu Jorge, no dia 29.

O alerta prático: essa é uma das semanas mais cheias do ano em Bonito. Hospedagem e passeios precisam ser reservados com antecedência, porque os atrativos trabalham com número limitado de visitantes por dia.

Gramado (RS): cinema, frio e glamour

De 12 a 22 de agosto, a Serra Gaúcha recebe a 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, o evento cinematográfico mais tradicional do Brasil e da América Latina. O Palácio dos Festivais vira o centro de gravidade da cidade, com estreias, debates e um circuito paralelo de eventos.

Vale saber que as mostras de curtas e longas gaúchos em sessões vespertinas e as reprises matutinas dos longas brasileiros costumam ser gratuitas, com ingressos não numerados por ordem de chegada — uma porta de entrada barata para quem quer viver o festival sem pagar caro.

Fernando de Noronha (PE): calor no meio do inverno

Para quem procura sol em pleno inverno brasileiro, Noronha é a resposta. A ilha fica especialmente boa em agosto, com dias ensolarados, mar calmo e as melhores condições do ano para mergulho — e com preços bem mais camaradas que os praticados no Réveillon, em janeiro ou no Carnaval.

O turismo por lá é controlado, e o pagamento da Taxa de Preservação Ambiental é obrigatório, com valor proporcional ao tempo de permanência. Vale incluir esse custo no orçamento desde o começo do planejamento.

João Pessoa (PB) e Maragogi (AL): o Nordeste que cabe no bolso

A capital paraibana vem ganhando espaço entre os destinos nacionais mais acessíveis, combinando praias urbanas bem estruturadas com preços abaixo dos praticados em Recife ou Natal — o que faz diferença em viagem de família. Sua baixa temporada vai de agosto a novembro.

Maragogi, o chamado "Caribe brasileiro", segue o mesmo raciocínio: famosa pelas piscinas naturais, ainda é mais barata que os destinos ultraexclusivos do litoral nordestino, com boa oferta de pousadas pequenas e familiares e baixa temporada também de agosto a novembro.

Como o brasileiro está viajando agora

O perfil do viajante mudou, e agosto se encaixa nesse novo comportamento. Cresce a procura por destinos fora do radar, com viajantes fugindo de lugares muito cheios e caros em busca de experiências mais autênticas — 54% dizem priorizar tranquilidade. Entre as estratégias mais adotadas estão combinar vários destinos numa mesma viagem e optar por hospedagens mais econômicas, com forte uso de ferramentas de comparação de preços na hora de decidir quando reservar.

Quem pensa em cruzar a fronteira também tem opções novas. O Chile lidera as buscas de inverno, com Santiago como porta de entrada para as estações de esqui, mas o aumento de preços tem empurrado viajantes para a Patagônia chilena, acessível por cidades como Balmaceda, Punta Arenas e Puerto Montt. E a malha aérea brasileira ganhou reforços: a Latam inaugurou rotas de São Paulo para Cidade do Cabo, Ushuaia e Punta Cana, enquanto a TAP passou a voar direto de Curitiba para Lisboa e anunciou São Luís como novo destino.

A conclusão é simples e vale para todos esses roteiros: o melhor mês para viajar raramente é o mais movimentado. Em agosto, o Brasil oferece seus cenários mais fotogênicos, sua agenda cultural mais barata e suas menores filas — tudo ao mesmo tempo, e por menos dinheiro.

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