Dois acontecimentos de hoje mostram que a inteligência artificial está entrando em uma nova fase: de ferramenta que responde para agente que age.
No Brasil: o Inter lançou a "Seven" e ela faz seu Pix por você
O Inter lançou a Seven, uma nova função que transforma o relacionamento do cliente com o banco ao migrar de interações baseadas em menus para uma experiência orientada por agentes de IA. Mais do que um assistente virtual, a Seven inaugura uma nova camada operacional dentro do Super App: uma plataforma de agentes capaz de executar tarefas financeiras completas a partir de comandos em linguagem natural.
Na prática, é simples e impactante: em vez de navegar por menus e interfaces tradicionais, o cliente pode simplesmente descrever o que deseja fazer. O sistema interpreta a intenção e executa as etapas necessárias automaticamente.
A segurança funciona assim: a interação se organiza em três etapas — o cliente delega uma tarefa à agente, acompanha e aprova o resultado antes de qualquer ação mais sensível da IA. Nesse modelo, o cliente segue no controle enquanto a funcionalidade assume o papel de apoiar e executar as ações.
O que vem a seguir é ainda mais curioso: em uma próxima fase, a Seven poderá se antecipar às necessidades dos usuários — com lembretes de aportes recorrentes para aposentadoria, sugestão para repetir Pix frequentes e avisos de boletos cadastrados no CPF via DDA, com possibilidade de pagamento diretamente pela conversa.
A liberação será feita de forma gradual para a base de mais de 43 milhões de clientes.
No mundo: o Google Gemini também quer agir antes de você pedir
E não é só o Inter. O Google está preparando uma mudança importante na forma como interagimos com assistentes virtuais. Informações encontradas na versão beta mais recente do aplicativo revelam que o Gemini pode ganhar uma funcionalidade chamada Assistência Proativa — a IA deixará de ser apenas reativa e passará a agir antes mesmo de o usuário fazer qualquer solicitação.
O detalhe que chama atenção é como isso funcionaria na prática: se houver um compromisso importante se aproximando, ele pode sugerir preparação antecipada. Se detectar uma viagem marcada em um e-mail, pode recomendar organização de tarefas ou lembretes úteis. E para quem se preocupa com privacidade: o código analisado indica que todas as informações utilizadas pela Assistência Proativa serão processadas localmente no dispositivo, dentro de um ambiente criptografado.
A expectativa agora gira em torno do Google I/O 2026, que acontece em maio, e há forte expectativa de que a Assistência Proativa seja apresentada oficialmente no evento.
O fio condutor das duas notícias? Estamos saindo da era em que você precisa abrir um app e digitar um comando. A IA está cada vez mais sendo desenhada para conhecer sua rotina, antecipar o que você precisa e agir por conta própria — com a sua aprovação, mas sem que você precise se lembrar de nada. É conveniente, fascinante e, para muita gente, um pouquinho assustador ao mesmo tempo.
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