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Diário de Notícias

DN.

A fruta quase esquecida da Mata Atlântica que virou estrela da gastronomia paulista

Uma fruta nativa, consumida pelos povos indígenas há séculos e quase desconhecida pela maioria dos brasileiros, está sendo celebrada com festa grande neste exato momento no interior de São Paulo. A vila histórica de Paranapiacaba, em Santo André, recebe a 21ª edição do Festival do Cambuci — e o evento está acontecendo hoje, 20 de abril.

O que é o cambuci: A fruta é nativa da Mata Atlântica e símbolo ecológico da região serrana do Grande ABC paulista. Com sabor cítrico intenso, muito mais azedo que o limão mas com aroma floral inconfundível, o cambuci era parte essencial da alimentação indígena muito antes da colonização — e por séculos ficou restrito às margens da Mata Atlântica, praticamente ignorado pela culinária brasileira em geral.

O festival: A 21ª edição reúne 23 empreendedores locais com uma infinidade de criações à base da fruta. Quem vai pode provar sucos, licores artesanais, sorvetes, mousses, patês, antepastos, molhos e até pimentas feitas com cambuci. A programação também inclui feira de artesanato, exposição visual no Cine Lyra histórico, e shows de rock, jazz, samba e brasilidades. A entrada é totalmente gratuita e o evento é pet friendly.

A história de sobrevivência do festival: Nos últimos anos, o evento quase morreu. A prefeitura deixou de destinar verba, e os pequenos produtores — microempreendedores que literalmente vivem do cambuci — não tinham como bancar sozinhos a estrutura. A solução foi buscar patrocínio privado. "Quando a associação não teve mais ajuda, eles não conseguiriam fazer o evento. Os produtores não teriam condições de se manter", explicou a organizadora. O festival sobreviveu e chega à 21ª edição mais forte do que nunca.

O último final de semana do festival acontece nos dias 25 e 26 de abril, com a premiação do Festival Gastronômico encerrando a programação.


Curiosidade gastronômica: O cambuci (nome científico Campomanesia phaea) pertence à mesma família da goiaba e da pitanga, a família Myrtaceae — uma das mais ricas da flora brasileira. Apesar de ser quase desconhecido fora do estado de São Paulo, chefs renomados já o descobriram e ele começou a aparecer em menus de alta gastronomia no país. Seu sabor único não tem substituto: não existe nada parecido no mundo. Uma raridade que cresceu no quintal do Brasil e que o Brasil quase deixou desaparecer. 

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