Os mercados globais engataram uma recuperação nesta terça-feira (25), puxados justamente pelo setor que vinha castigando os índices nas últimas sessões. Os futuros das bolsas americanas subiam durante o pregão europeu, com o Nasdaq 100 avançando cerca de 0,6%, aos 29.270 pontos, o S&P 500 em alta de 0,3%, aos 7.690, e o Dow Jones com ganho de 0,2%, aos 53.590 pontos. Na Ásia, os principais mercados fecharam majoritariamente no azul, com as ações de semicondutores devolvendo parte das perdas acumuladas e o ouro se acomodando na casa dos US$ 4.630 a onça, após tocar máximas de mais de três meses.
O movimento tem endereço certo: o balanço da Nvidia, que sai na quarta-feira (26), depois do fechamento de Wall Street. A leitura predominante entre analistas é que a fabricante de chips deixou de ser apenas mais uma empresa de tecnologia e virou o termômetro do ciclo de investimentos em inteligência artificial — o que significa que o resultado tende a ditar o humor de todo o setor nas próximas semanas. O consenso de mercado trabalha com receita trimestral entre US$ 92 bilhões e US$ 94 bilhões, algo próximo do dobro do registrado um ano antes, e margens ao redor de 75%.
A dificuldade, apontam gestores, é que superar a projeção já não basta. Depois de meses de valorização acelerada, o mercado passou a exigir margens de surpresa cada vez maiores para justificar os múltiplos das companhias expostas à IA. Por isso, a atenção deve se concentrar menos no trimestre encerrado e mais no guidance para o período seguinte e no ritmo de entrega da plataforma Vera Rubin, sucessora da geração Blackwell, que começou a chegar aos clientes entre julho e agosto.
A semana ainda reserva outros testes para os investidores. Além do índice de confiança do consumidor americano, divulgado nesta terça, o calendário traz o índice de preços PCE — medida de inflação preferida do Federal Reserve — na quarta-feira, e o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, na sexta. No pano de fundo, as tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem sustentando alguma demanda por ativos de proteção e limitando o apetite por risco.
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