O MP e a Polícia Civil do Rio cumpriram na manhã de ontem, 10, mandados de busca e apreensão na casa do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), e em duas sedes da Prefeitura: o Palácio da Cidade, na zona sul, e o prédio administrativo conhecido como “Piranhão”, na região central da cidade. A investigação apura suposto esquema de corrupção e organização criminosa no Executivo carioca.

Os mandados são um desdobramento da Operação Hades, deflagrada em março deste ano contra supostos envolvidos no que ficou conhecido como “QG da propina”. Naquela ocasião, foram cumpridos 17 buscas e apreensões. Mais pessoas foram atingidas: 22.

A investigação teve como ponto de partida a delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso no âmbito da operação Câmbio Desligo, um dos desdobramentos da Lava Jato fluminense. Veio dele a expressão “QG da Propina” para se referir ao esquema, que teria como operador Rafael Alves, homem forte da Prefeitura apesar de não ter cargo oficial. Ele é irmão do ex-presidente da Riotur, Marcelo Alves - os dois foram os principais alvos dos mandados de março, e Marcelo foi exonerado logo depois.

O suposto QG funcionaria assim, de acordo com o delator: empresas interessadas em trabalhar para o Executivo carioca entregavam cheques a Rafael, que faria a ponte com a Prefeitura para encaminhar os contratos. O esquema também funcionaria no caso de empresas com as quais o município tinha dívidas - aqui, o operador mediaria o pagamento.

As diligências aconteceram em endereços ligados a agentes públicos municipais e empresários na capital (nos bairros da Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Tijuca e Flamengo), além dos municípios de Itaipava, na região serrana, e Nilópolis, na Baixada Fluminense.