A crise internacional alimentada pela guerra de preços do petróleo e pela escalada do coronavírus pelo mundo já começa a impactar a economia brasileira. O dólar a R$ 4,79 e o circuit breaker  (interrupção momentânea dos negócios na tentativa de conter as perdas no mercado) acionado segunda-feira (9) após o Ibovespa cair mais de 10% deram o alarme para um possível cenário de recessão global.  

- O primeiro efeito pode ser um reforço a essa tendência de desvalorização do real frente ao dólar; o segundo efeito é na balança comercial e na própria produção doméstica, que pode acabar prejudicando emprego e renda. E aí você tem um contágio maior sobre o crescimento econômico - avalia o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto.

Mesmo assim, com retração da demanda externa, a previsão do economista ainda é de crescimento, a taxas menores que as esperadas em razão do deficit público elevado e do pouco fôlego para investimentos.

- Não tem um risco de a gente não crescer, por exemplo, neste ano. O risco é crescer menos. Em vez de 2,5%, crescer com a uma taxa de 1,5% ou 1,6%.

Se, por um lado, os instrumentos para reagir à provável crise ainda são limitados, Felipe Salto entende que o Congresso Nacional já começa a ocupar as lacunas do Executivo no papel de zelar pelo equilíbrio fiscal e sustentabilidade da dívida em relação aos juros e ao crescimento.  

- Tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estão reagindo rápido a esses eventos. A gente tem que perceber também que existem limitações. Não adianta nem o Executivo, nem o Congresso quererem responder a isso com medidas apressadas. Eu acho que o ideal é que essa crise seja uma oportunidade para avançar com as reformas estruturais - completa.                      

Em declaração à imprensa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o quadro atual é apenas de “desaceleração” e que o governo aposta nas propostas de reformas administrativa e tributária para o crescimento do país.