Sem acordo, o Senado chileno devolveu quarta-feira (22) à Câmara o projeto que defende a paridade de gênero entre os candidatos a integrar o órgão que vai discutir a criação de uma nova Constituição. O país passará por um plebiscito no próximo dia 26 de abril para definir se a população quer uma nova Constituição. Apesar de o projeto ter sido aprovado em comissões na terça-feira (21), a proposta foi rejeitada no plenário, por um voto, devido ao alto quórum necessário para a aprovação (três quintos dos votos). No Chile, o Senado tem 43 senadores e eram necessários pelo menos 25 votos a favor.

Desta forma, o mecanismo para garantir a paridade de gênero nas candidaturas às vagas para o processo constituinte ficou sem definição. A questão gera tensão entre a centro-esquerda e a centro-direita e, inclusive, dentro do próprio partido no poder, o Renovação Nacional (RN).

Votação - Os senadores rejeitaram, por um voto, a proposta da oposição que garante a paridade de gênero nas candidaturas a integrantes do órgão constituinte. O projeto também sugere a criação de um sistema de correção posterior para que as vagas, em cada distrito, sejam distribuídas de maneira que nenhum sexo se imponha sobre o outro.

A proposta aprovada na Câmara em dezembro do ano passado garantia que, nos distritos que tivessem vagas pares, pelo menos 50% fossem ocupadas por mulheres; e que, nos distritos com vagas ímpares, a diferença entre os sexos não fosse de mais de uma vaga.

A votação foi de 24 votos a favor, 14 contra e 2 abstenções.