Autoridades chilenas que presidem este ano as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019, a chamada COP 25, disseram neste sábado, 14, que planejam propor um compromisso para resolver diferenças entre países que empacaram em uma paralisação em torno de assuntos cruciais pelas últimas duas semanas.

Com a reunião já no tempo de prorrogação, rascunhos de documentos apresentados ao longo da madrugada fracassaram na tentativa de alcançar consenso. Observadores grupos ambientalistas alertaram sobre que os participantes arriscavam desmontar ou atrasar compromissos feitos no Acordo do Clima de Paris em 2015.

O diplomata chileno Andrés Landerretche afirmou a repórteres que um novo compromisso circularia entre os países na tarde deste sábado (pelo horário local), mas insistiu que teria de haver concessões para se chegar a um acordo apoiado por todos.

"É impossível ter um desfecho consensual se ninguém ceder", ele disse.

Questionado sobre se algumas decisões poderiam ser adiadas até o ano que vem, Landerretche disse: "Não prevemos nenhuma suspensão. Estamos trabalhando com a visão de finalizar o nosso trabalho hoje."

Mas observadores apontaram que ainda havia grandes obstáculos a ser superados. "Venho comparecendo a essas negociações climáticas desde que elas começaram em 1991, mas nunca vi a desconexão quase total que vimos aqui (...) em Madri entre o que a ciência requer e a população mundial exige, e o que os negociadores climáticos estão entregando", disse Alden Meyer, um especialista em formulação de políticas climáticas da União de Cientistas Preocupados.

Meyer disse que os atuais rascunhos não refletem alertas urgentes de cientistas de que emissões de gases causadores do efeito estufa têm de cair acentuadamente, e logo.