O presidente sul-coreano Moon Jae-in não pretende participar da cerimônia de proclamação e posse do novo imperador japonês Naruhito, informou hoje (11) integrante do governo sul-coreano, citando a posição de Tóquio em sua retaliação comercial contra Seul por questão histórica.

Moon atribuiu a sua ausência ao evento de posse do imperador, marcado para 22 de outubro, à atitude do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, que se recusa a recuar de sua decisão de proibir a exportação de produtos tecnológicos sensíveis para a Coreia do Sul.

Os assessores de Moon expressaram anteriormente a esperança de um avanço nos esforços para resolver a disputa com uma possível reunião entre o presidente e Abe na ocasião da cerimônia que ocorrerá no Palácio Imperial de Tóquio.

Mas o governo japonês não mostrou nenhuma indicação de mudança de rumo. Para Moon, o fardo político é muito grande e nenhuma conquista diplomática é garantida por sua participação no evento de Tóquio.

"O presidente Moon não participará da cerimônia de entronização do imperador japonês", disse um  funcionário do governo coreano.

Ainda não está confirmado se o governo sul-coreano notificou formalmente o Japão sobre o assunto. 

Segundo a mídia japonesa, Abe já programou reuniões com cerca de 50 convidados estrangeiros que visitarão Tóquio para a cerimônia.

Restrições

O Japão lançou restrições à exportação de produtos tecnológicos para a Coreia do Sul no início de julho, em aparente protesto sobre uma disputa de décadas sobre a compensação de vítimas coreanas do trabalho forçado no Japão durante a Segunda Guerra Mundial.

A Coreia do Sul reagiu com seu próprio controle de exportação e uma série de declarações fortemente formuladas contra Tóquio.

Moon, no entanto, usou seu discurso no dia da libertação de 15 de agosto para estender um ramo de oliveira. Ele disse: "Se o Japão escolher o caminho do diálogo e da cooperação, teremos o prazer de dar as mãos".

O Japão permaneceu sem resposta, levando a Coreia do Sul a decidir não renovar um acordo bilateral sobre o intercâmbio de informações militares. Este acordo está programado para expirar no final de novembro.