A Fitch Ratings espera que a economia dos Estados Unidos sofra contração de 5,6% em 2020 e avance 4% em 2021, "com a resposta maciça da política fiscal evitando uma desaceleração mais profunda". Nesta sexta-feira, 31, a agência de classificação de risco reafirmou o rating AAA do país, mas revisou a perspectiva de estável para negativa.

"Há riscos negativos para a previsão de crescimento da Fitch, com dados de alta frequência começando a mostrar um maior impacto da pandemia em partes do país onde a reposta de saúde pública foi deficiente,além da diminuição do estímulo da política fiscal", ressalta a agência.

Segundo a Fitch, o alto desemprego nos EUA pesará sobre o capital humano, a estabilidade financeira e o potencial de crescimento futuro. "A recessão mais profunda do pós-guerra não só abrirá uma grande lacuna na produção, mas também afetará permanentemente o PIB potencial", afirma a agência.

A Fitch destaca que a direção futura da política fiscal nos EUA vai depender do resultado da eleição presidencial de novembro, quando o presidente Donald Trump deverá enfrentar o democrata Joe Biden. A agência diz, no entanto, que é improvável qualquer um dos partidos conseguir maioria nas duas casas legislativas.

"A continuação do impasse político é um risco. A polarização política pode enfraquecer as instituições e reduzir o escopo da cooperação bipartidária, dificultando tentativas de abordar questões estruturais (incluindo algumas destacadas pela pandemia e protestos), mas também desafios fiscais de longo prazo", alerta a Fitch.