A inadimplência das famílias brasileiras em maio atingiu o maior porcentual da série histórica para o mês na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) desde janeiro de 2010. O índice atingiu 10,6%, ante 9,9% em abril, indicando o aumento de famílias que declaram não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, em meio às restrições de renda decorrentes da pandemia do coronavírus.

O total de famílias que se declararam muito endividadas também aumentou em maio, chegando a 16% e atingindo o maior porcentual desde setembro de 2011, quando o indicador alcançou 16,3%.

De acordo com a pesquisa, porém, o número de famílias com dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro recuou ligeiramente em maio, passando de 66,6% (abril), o maior patamar da série histórica, para 66,5% este mês.

Este indicador, segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, mostra que as medidas para enfrentar a crise provocada pelo novo coronavírus estão sendo insuficientes, como a injeção de liquidez na economia e a queda das taxas de juros. A maior aversão ao risco no sistema financeiro, observou, tem impedido que o crédito de fato chegue aos consumidores.

“Apesar da pequena queda no mês, o endividamento das famílias está em proporção elevada, sendo importante também viabilizar prazos mais longos para os pagamentos das dívidas, como forma de evitar o crescimento da inadimplência nos meses à frente”, afirmou Tadros em nota, ressaltando que “a inflação baixa beneficia a manutenção do poder de compra dos consumidores, especialmente nas faixas de menor renda”, completou.