Após uma abertura em baixa, o Ibovespa ainda tenta encontrar uma direção, na contramão da alta das bolsas europeias e dos índices futuros em Nova York. O recuo do principal índice à vista da B3 é puxado principalmente pelos papéis da Petrobras, que cedem, após a inversão de sinal para alta do petróleo no exterior. Na contramão, as ações de mineradoras e siderúrgicas limitam as perdas, diante da expectativa de acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Além disso, a cautela interna reflete, conforme a analistas Sandra Peres, da Terra Investimentos, projeções mais elevadas para a inflação brasileira e para a taxa de câmbio. Na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2019 subiu de 3,33% para 3,46% e para o câmbio avançaram de R$ 4,00 para R$ 4,10. Além disso, acrescenta a analista, elevou a expectativa para a taxa Selic em 2020, de 4,25% para 4,50%.

"Isso gera certo desconforto, traz dúvida. Se de fato essa aceleração no dólar incomodar a inflação e afetar as expectativas para o Copom Comitê de Política Monetária em 2020 tende a estressar", admite Sandra.

Lá fora, as bolsas sobem ainda que moderadamente. Pela manhã surgiu a informação de que os EUA e a China teriam alcançado um "amplo consenso" para um acordo comercial de "fase 1" e que estariam mais próximos de chegar a um entendimento em breve.

"A notícia de que o governo chinês apertou as regras para coibir as violações dos direitos de propriedade intelectual foi bem recebida pelos investidores. O entendimento é que esta decisão pode facilitar um acordo com os EUA", estima em nota a MCM Consultores.

As ações da Petrobras ainda ficam no foco das atenções, diante da possibilidade de paralisação dos trabalhadores da estatal. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que manterá as mobilizações solidárias nacionais programadas para ocorrer entre os dias 25 e 29 deste mês.

Segundo a entidade, as paradas serão parciais, sem prejuízo do abastecimento dos combustíveis. Conforme o operador, caso o movimento atrapalhe a produção significativamente, pode atingir os preços. Entretanto, acredita que o reajuste de gás pela Petrobras válido a partir de hoje não deve afetar os preços dos papéis.

No fim de semana, a Petrobras informou aumento médio de 4,0% no preço do GLP residencial, botijão de até 13 quilos, o chamado gás de cozinha. Já a alta média do preço do GLP industrial/comercial foi de 0,6%.

Às 11h14, o Ibovespa cedia 0,19%, aos 108.485,81 pontos, após mínima de 108.439,89 pontos, e máxima de 108.914,73 pontos.