O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB – PE) será mantido como líder do governo no Senado. A informação foi confirmada pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, no começo da noite de ontem (2) em Brasília, em briefing com os jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto.

“O presidente não tem intenção de substituir o seu líder no Senado”, afirmou o porta-voz. “Não há no escantilhão [instrumento usado para regular medidas padrão] do senhor presidente a substituição de nosso líder no Senado”, assegurou."O presidente vem mantendo contato com o senador Fernando Bezerra por meio do telefone e por meio dos outros nossos interlocutores junto àquela Casa”, acrescentou.

No dia 19 do mês passado, a Polícia Federal fez buscas no gabinete e no apartamento do senador Bezerra Coelho, no âmbito da Operação Desintegração.

Reforma da Previdência

No final da noite de ontem (1º), o plenário do Senado aprovou, em primeiro turno, o texto-base da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reforma a Previdência Social. Pouco após a vitória do governo, os senadores aprovaram destaque que derrubou a proposta governamental que mudava as regras de pagamento do abono salarial.

O benefício continuará a ser pago aos trabalhadores que recebem até dois salários mínimos e tenham carteira assinada há pelo menos cinco anos. A proposta do governo previa a manutenção do abono para quem ganha hoje até R$ 1.364,43. Com a retirada desse ponto da PEC, a estimativa do governo é que a economia com a reforma da Previdência cai para R$ 800,2 bilhões nos próximos 10 anos, R$ 76,2 bilhões a menos do que o projetado inicialmente.

Para o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, a aprovação do destaque não foi uma derrota do governo. “Que derrota?”, perguntou aos jornalistas após a solenidade no Planalto para a assinatura de protocolo de intenções que muda a campanha de acolhimento de venezuelanos no Brasil.

“A democracia é um regime belo, onde se permitem as diferenças e o debate. É por isso que nós estamos na democracia. Não existe unanimidade. É um regime bonito, onde há as diferenças, mas não existe um inimigo pessoal, e sim adversários, onde todos saem ganhando”, afirmou.

O ministro assinalou que, a despeito dos destaques, a reforma foi aprovada depois de anos, vários governos. "Agradeço a Davi Alcolumbre [presidente do Senado Federal] e a todos os senadores”, disse Ramos.