O empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, disse que pagou propina de 5% ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, para que a empresa pudesse participar do consórcio da obra de reforma do Maracanã. Cavendish que foi ouvido segunda-feira (7), durante mais de uma hora, na 7ª Vara Federal Criminal do Rio, pelo juiz Marcelo Bretas, chegou a ser preso na Operação Saqueador, deflagrada em junho de 2016, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro para rastrear o esquema de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, no valor de R$ 370 milhões.
O empresário contou que o pagamento da propina era feito em dinheiro entregue a Carlos Miranda, ex-assessor de Cabral. “Eu orientei uma pessoa de minha confiança, uma funcionária chamada Claúdia, informei a ela que o senhor Carlos Miranda iria procurá-la e eu ia informar a ela o valor que ela teria que pagar”, revelou.
Ainda no depoimento, Bretas questionou se o empresário fez o pagamento como contribuição para a campanha de eleição de Cabral. “No meu caso não foi para campanha. No meu caso foi para a obra do Maracanã”, disse.
Contradição
A informação do empresário contradiz o que o ex-governador declarou à Justiça Federal. Também em depoimento, Cabral admitiu doações legais, a existência de caixa 2 na sua campanha e negou que tenha recebido propina. O juiz apresentou este argumento ao empresário que contestou. “Até porque 2011 não era ano de campanha”.
De acordo com Cavendish, Cabral era uma pessoa da sua grande proximidade até muito antes de ser governador. Depois, quando ele estava no cargo, se encontraram para ver a possibilidade da empresa participar do consórcio.