O futuro ministro da Justiça, Osmar Serraglio, negou qualquer intenção de obstruir as investigações da Operação Lava Jato feitas pela Polícia Federal (PF). Em entrevista concedida ao programa Nos Corredores do Poder, da TV Brasil, Serraglio disse que o Ministério da Justiça não vai interferir nos trabalhos da PF e acrescentou que a origem da pasta é administrativa e que sua atuação e da PF não se confundem.

“[Não haverá] nenhuma interrupção na Lava Jato. A nossa ascendência é administrativa. O Ministério da Justiça não tem nenhuma interferência na investigação da Polícia Federal. Ela [a PF] é autônoma”, disse Serraglio à repórter Mariana Jungmann.

Serraglio também negou ter defendido anistia do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que foi deputado pelo PMDB do Rio de Janeiro. Serraglio explicou que a relação entre os dois estava limitada ao fato de serem do mesmo partido e trabalharem por pautas em comum, como o impeachment da então presidenta   Dilma.

Serraglio acusou os veículos de imprensa de “defeito de interpretação” por dizerem que ele anistiaria Cunha, atualmente preso em Curitiba. Serraglio explicou que a situação de Dilma, na época do processo de impeachment, e de Cunha se assemelhavam por tratarem de fatos anteriores ao mandato que tinham e, por isso, falou em anistia para o ex-deputado federal.

“Nos jornais saiu que eu daria anistia para o Cunha. Isso é um defeito de interpretação. Foi apresentada a acusação do impeachment da Dilma, e a defesa tinha como maior argumento que ela só podia responder pelos atos praticados no atual mandato. Eu dizia que, se o PT estava dizendo isso, ele iria anistiar o Cunha, porque ele estava sendo acusado por questões anteriores, as contas na Suíça”, disse o deputado.