Mesmo com as inúmeras dificuldades mundiais para a estabilização dos mercados, países como a China, o Cazaquistão e o Panamá estão em progresso e mais bem avaliados do que o Brasil, de acordo com o estudo da OCDE. A análise da entidade leva em consideração as atuais taxas de crescimento alcançadas pelas nações. Na estimativa da organização, apresentada no estudo ‘Perspectivas sobre o Desenvolvimento Mundial 2014’, caso sejam mantidos os números atuais, o Brasil não alcançará os países desenvolvidos até 2050.

 Outros pontos ponderados no estudo, que culminaram na avaliação ruim do Brasil, estão a baixa pontuação no exame internacional que afere o nível de educação, Pisa, e o baixo investimento realizado.

Apesar do esperado avanço na última década, faltou, por parte do governo brasileiro, planejamento, estratégia e aplicação de recursos para esse impulso que aguardávamos. O Brasil perdeu competitividade por não estimular a inovação. Por não ter uma articulação de governo próxima ao setor industrial e ainda não vemos nenhuma movimentação para que isso aconteça.

 Nos últimos 20 anos, a participação da indústria nacional nas exportações teve séria redução, tanto nos produtos manufaturados como nos semimanufaturados. Em 1994, a exportação de manufaturados era de 57,3% das vendas para o exterior; de semimanufaturados, 15,8%; produtos básicos, 25,4%. De janeiro a maio de 2014, exportamos 34,8% de manufaturados, 12,2% de semimanufaturados e 50,3% de produtos básicos.

 Desta maneira, o Brasil é um dos países cuja indústria mais perdeu campo de mercado na última década, de acordo com estudo da Boston Consulting Group (BCG). O trabalho analisou a competitividade de 25 economias exportadoras e demonstra que, em 10 anos, os custos da indústria brasileira, que era 3% menor do que da indústria americana, agora passaram a ser 23% maior.

 O Brasil se apequena muito com essa incapacidade estratégica. Com essa deficiente ação de produção e comércio no período de uma década, o preço da eletricidade no país subiu cerca de 90% e o valor do gás natural aumentou 60%, enquanto a produtividade dos trabalhadores cresceu irrisórios 3%. Também perdem os brasileiros, que deixam de ter mais qualidade de vida e uma nação mais avançada, diferente do que está acontecendo com o Cazaquistão e o Panamá.

 Mesmo sob pressão, o Brasil precisa atrair investimentos e ganhar espaço no mercado internacional. São ações planejadas e comprometidas que poderão reverter este quadro, alavancando a fabricação, as exportações e garantindo empregos. Chega de discursos, para sermos, de fato, proativos.

 

Vanderlei Macris - Deputado federal pelo PSDB-SP e 1º vice-líder do partido na Câmara dos Deputados.