Depois de uma primeira etapa do pregão relativamente tranquila, os juros futuros negociados na B3 reduziam o ritmo de queda no início da tarde seguindo de perto a alta nas cotações do petróleo, mas começaram a subir em bloco no meio da tarde. Nas mesas de renda fixa, operadores atribuíram a virada de sinal a informações de que caminhoneiros estariam ameaçando uma paralisação nos próximos dias para protestar contra o aumento dos preços do diesel, apurada pela Folha de S. Paulo e confirmada em seguida pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Alguns vencimentos chegaram a operar com alta de cerca de 20 pontos-base ante os ajustes conforme a notícia circulava, neutralizando o alívio trazido pelo segundo dia de intervenção do Tesouro Nacional no mercado, que já foi menor nesta terça-feira, 17. A incerteza trazida pela possibilidade de greve, que tem potencial de pressionar a inflação para cima e a atividade para baixo, também prevaleceu sobre o fechamento da curva dos Treasuries e o enfraquecimento do dólar global.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 14,07% no ajuste de segunda para 14,135%. O DI para janeiro de 2029 subiu a 13,605%, vindo de 13,561% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,747% no ajuste anterior para 13,755%.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, afirmou à Broadcast que a possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros ganhou força nos últimos dias e pode ocorrer até o fim da semana atual. A classe realizou uma assembleia nesta segunda que decidiu pela paralisação, devido à escalada do diesel, que se acentuou desde o final de fevereiro com a disparada do petróleo no mercado internacional.
Economista-chefe e fundadora da BuysideBrazil, Andrea Damico avalia que a probabilidade de os caminhoneiros pararem de fato é baixa, e que a ameaça de greve pode ser uma forma de a categoria pressionar o governo após o aumento do combustível nas refinarias da Petrobras, em seguida às medidas governamentais para baratear o preço do diesel.
"Faz tempo que vemos várias ameaças que não acontecem", diz Damico, observando que, para a Buysidebrazil, a informação sobre a greve não muda o cenário de inflação e atividade, mas o mercado reage a notícias. "Se esse risco é visto como uma probabilidade mais alta, acaba sendo incorporado aos trechos da curva a termo", disse.
Embora veja maior influência, no período recente, do comportamento do petróleo e do câmbio sobre os DIs futuros, a economista explica que a mobilização dos caminheiros representa um choque de oferta clássico, com impacto altista na inflação e baixista na atividade. "A inflação sobe no curto prazo porque os produtos não chegam, mas temporariamente, porque os meses subsequentes tendem a devolver esse impacto", disse. "É mais uma perturbação para o cenário do Banco Central."
Na véspera da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), pesquisa divulgada pelo BTG Pactual mostrou que a maioria do mercado espera redução de 0,25 ponto porcentual na Selic, que é a expectativa de 71% dos entrevistados. Outros 17% projetam um corte maior, de 0,50 ponto, enquanto apenas 12% avaliam que a Selic permanecerá parada nos atuais 15%. O levantamento ouviu 52 profissionais.
Pela precificação da curva, a probabilidade de uma redução de 0,25 ponto no juro básico na quarta-feira estava em 80% no fim desta tarde, segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, contra 20% de chance de manutenção. A taxa terminal apontada para o fim de 2026 subiu para 13,75%, de 13,60% de segunda.
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