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Diário de Notícias

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Taxas de juros sobem com falas de Paulo Picchetti, leilão do Tesouro e cautela externa

Sob um conjunto de fatores de pressão, a curva de juros futuros se deslocou para cima no pregão desta quinta-feira, 16. A alta nas taxas curtas e médias foi acentuada após declarações consideradas mais conservadoras do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti. Na ponta mais longa, o leilão robusto de prefixados do Tesouro Nacional adicionou risco relevante ao mercado e elevou os DIs, tendo como pano de fundo o aumento da cautela no exterior, em meio à ausência de sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,953% no ajuste de quarta a 14,045%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,335%, vindo de 13,212% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,344% para 13,415%.

Ao participar do Itaú Latam Day, às margens das reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, Picchetti disse que não conversou com os demais integrantes do colegiado sobre o ambiente econômico doméstico e internacional, mas está claro que a situação é de muita incerteza, e que "as coisas definitivamente não melhoraram desde o Copom de março".

Já influenciadas pelo avanço do petróleo, que fechou em alta na ordem de 4%, com incertezas sobre possível avanço nas tratativas entre Washington e Teerã, as taxas curtas renovaram máximas acima dos 14% após a apresentação do diretor do BC. Os vértices longos, por sua vez, continuaram abrindo cerca de 10 pontos, na esteira do maior leilão de prefixados do Tesouro Nacional desde o início do confronto no Oriente Médio.

Estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital pondera que a exposição de Picchetti não trouxe novidades, com apresentação de gráficos sobre expectativas e citações de trechos da última ata do Copom. "Nos comentários, porém, uma fala com caráter mais pessoal pode ter pressionado os juros", observa Vital, citando a avaliação do diretor de que a situação não melhorou desde o último Copom. "A declaração pode ter sido interpretada como mais 'hawkish', reforçando a necessidade de cautela e sugerindo menor espaço para cortes nesse processo de calibragem", comentou Vital.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, quem já estava pessimista com o ciclo de cortes da Selic deve se apoiar na fala de Picchetti. Além do discurso do dirigente do BC, Cruz acrescenta que o cenário externo também puxou os DIs para cima, mas, ao contrário do observado no começo do conflito, as ameaças do presidente Donald Trump passam a ser vistas com maior ceticismo.

Nesta quinta, Trump afirmou que o próximo encontro com o Irã pode ocorrer já neste final de semana, e indicou que pode estender o cessar-fogo caso as negociações avancem. Contudo, alertou que, sem entendimento, os combates podem ser retomados. "Se o Irã ameaçar, realmente eu ficarei atento. Mas os EUA já perderam esse poder", destaca Cruz.

Em um cenário no qual a guerra apenas esfria, mas o conflito persiste, e os contratos futuros de petróleo continuam orbitando o patamar de US$ 100, é difícil imaginar que o BC acelere o ritmo de cortes da Selic, avalia Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. Em suas estimativas, o Copom seguirá cortando o juro a 25 pontos-base por reunião até que a taxa alcance 13,5%, mesmo nível em que vai terminar o ano. "É isso que está na curva", apontou.

No final desta tarde, a curva precificava 92% de chance de redução de 0,25 ponto da Selic em abril, e 8% de probabilidade de ajuste de 0,5 ponto. A taxa apontada para dezembro de 2026 estava em 13,7%.

Do lado da oferta, o Tesouro surpreendeu agentes e pressionou a curva ao colocar totalmente no mercado os lotes de 7 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) e de 28 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN). O risco adicionado ao mercado (DV01) foi de US$ 1,326 milhão nos cálculos da Warren Investimentos, 116% maior do que o certame da semana passada.

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