Um estudo do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), divulgado neste mês de maio, trouxe números que surpreendem até os mais otimistas do setor ambiental. O turismo em unidades de conservação federais movimentou R$ 40,7 bilhões em vendas no Brasil em 2025, gerou R$ 20,3 bilhões para o PIB e sustentou mais de 332,5 mil postos de trabalho.
As 175 unidades de conservação federais abertas à visitação registraram juntas 28,5 milhões de visitas no ano passado — o maior número desde o início da série histórica, em 2000.
Mas o dado mais curioso é o retorno financeiro. Segundo o modelo utilizado no estudo, validado pela UNESCO e pelo Banco Mundial, para cada R$ 1 investido no ICMBio, o retorno agregado ao PIB chegou a R$ 16, e a arrecadação tributária foi de R$ 2,30. Ou seja, preservar floresta está literalmente dando lucro para o país.
A atividade gerou quase R$ 3 bilhões em arrecadação tributária — valor que supera o dobro do orçamento total do próprio órgão gestor. Em outras palavras, os parques nacionais se pagam e ainda devolvem com sobra.
No ranking dos mais visitados, o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, lidera com mais de 4,9 milhões de visitantes. O parque abriga o Cristo Redentor e reúne atrações como Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Vista Chinesa e Pico da Tijuca, além de trilhas de longo curso como a Transcarioca. Na segunda posição aparece o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, com 2,2 milhões de visitas, e em terceiro Jericoacoara, no Ceará, com 1,3 milhão.
O Iguaçu, além das famosas Cataratas, ampliou sua oferta turística com atividades como cicloturismo, astroturismo, passeios de barco e visitas noturnas para contemplação.
Segundo o ICMBio, o crescimento está relacionado à melhoria no monitoramento da visitação, investimentos em infraestrutura e serviços, inclusão de novas áreas no sistema e maior valorização dos ambientes naturais no período pós-pandemia. Desde 2023, o governo criou e ampliou 20 unidades de conservação, totalizando mais de 1,7 milhão de hectares.
Mas nem tudo são flores. O ICMBio alerta que o crescimento da visitação amplia desafios de gestão, como equilibrar o uso público com a conservação ambiental, ampliar infraestrutura, fortalecer ações de educação ambiental e aprimorar o monitoramento dos impactos sobre os ecossistemas.
A mensagem é poderosa: a natureza brasileira não é só patrimônio a ser protegido é uma máquina econômica. E quanto mais se investe nela, mais ela devolve em empregos, renda e qualidade de vida.
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