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Diário de Notícias

DN.

Marinha britânica se prepara para retirar minas de Ormuz enquanto aguarda acordo de paz

A bordo do navio militar RFA Lyme Bay, ancorado próximo à costa de Gibraltar, centenas de marinheiros britânicos aguardam uma possível missão para remover minas marítimas no Estreito de Ormuz, operação que ainda depende de um acordo de paz no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou aliados nos últimos meses por mais apoio à ofensiva contra o Irã, que mantém bloqueios no estreito e provocou uma forte redução do tráfego marítimo internacional, além da alta dos preços da energia.

Em março, Trump chegou a dizer a aliados da Otan para "irem buscar seu próprio petróleo" e garantirem sozinhos a segurança da rota marítima.

Agora, o Reino Unido se prepara justamente para isso, mas apenas após o fim das hostilidades. No sábado, Trump afirmou que um acordo com o Irã já foi "amplamente negociado", embora ainda dependa de uma conclusão formal.

O ministro das Forças Armadas britânicas, Al Carns, apresentou a jornalistas os preparativos do RFA Lyme Bay para uma possível operação internacional liderada por Reino Unido e França.

Enquanto Carns falava, o navio recebia munições e drones submarinos equipados com sonar para detectar minas marítimas.

Com centenas de tripulantes a bordo, o RFA Lyme Bay deverá deixar Gibraltar em breve para se unir ao destróier britânico HMS Dragon e a embarcações aliadas, que fornecerão apoio aéreo antes da travessia pelo Canal de Suez rumo ao Golfo Pérsico.

"Qual outro país consegue reunir 40 nações e construir uma solução para um problema complexo que nem sequer prevíamos porque não estávamos envolvidos?", afirmou Carns, ao responder uma pergunta da Associated Press sobre as cobranças de Trump aos aliados britânicos.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes da região.

Segundo Carns, ao menos 6 mil embarcações deixaram de atravessar o estreito desde o começo do conflito.

Trump criticou duramente o Reino Unido durante a guerra. O presidente americano chegou a chamar a Marinha britânica de "brinquedos" e disse que o primeiro-ministro Keir Starmer "não é Winston Churchill".

Minas marítimas e drones submarinos

Segundo a comandante Gemma Britton, responsável pela unidade britânica de neutralização de minas, o Irã pode ter espalhado diferentes tipos de explosivos pelo estreito.

As minas podem ficar presas por cabos, repousar no fundo do mar ou ser acionadas por som, movimento ou luz.

A Associated Press acompanhou demonstrações de sistemas autônomos capazes de mapear o fundo do mar usando sonar em cerca de metade do tempo necessário para uma embarcação tripulada.

Os drones submarinos produzem imagens detalhadas de objetos submersos, desde redes de pesca até oleodutos, permitindo identificar possíveis minas.

Parte dos equipamentos pode ser instalada em pequenas embarcações operadas remotamente a partir do RFA Lyme Bay, reduzindo a necessidade de mergulhadores em áreas de risco.

Tradicionalmente, mergulhadores colocam explosivos diretamente nas minas antes da detonação. Mas o navio britânico também testa veículos submarinos não tripulados capazes de realizar esse trabalho de forma remota.

Segundo Britton, a prioridade será abrir inicialmente um corredor de navegação para permitir a saída de cerca de 700 navios presos na região. Depois, seria aberta uma rota no sentido contrário para restabelecer o fluxo normal.

Ela alertou, porém, que uma limpeza completa do estreito pode levar meses ou até anos.

Missão ainda depende de acordo

Ainda não está claro se há minas efetivamente espalhadas no Estreito de Ormuz ou se Reino Unido e aliados serão mobilizados para removê-las.

Um funcionário americano ouvido pela AP sob condição de anonimato afirmou que os Estados Unidos não localizaram nem destruíram minas na região e que nenhum navio foi atingido até agora.

O tráfego comercial continua funcionando, embora em volume muito menor do que antes da guerra.

Questionado pela AP se a mobilização britânica seria apenas uma demonstração política para agradar Washington, Carns respondeu que algumas minas provavelmente foram destruídas ou levadas pela correnteza, mas disse que isso não basta para o setor de seguros marítimos.

Segundo ele, as seguradoras exigem "certeza absoluta" de segurança para permitir que embarcações voltem a cruzar a região normalmente.

"É isso que essa operação pode oferecer", afirmou.

A eventual missão internacional no Estreito de Ormuz só deverá acontecer após o fim oficial das hostilidades.

No sábado, Trump afirmou nas redes sociais que "os detalhes finais do acordo seguem em discussão e serão anunciados em breve", sem dar prazo.

Carns admitiu que ainda não há previsão para um entendimento definitivo.

"Não sabemos quando americanos, iranianos e israelenses chegarão a uma solução adequada", afirmou.

Enquanto isso, o RFA Lyme Bay e sua tripulação seguem em prontidão. "Estaremos totalmente preparados", disse o ministro britânico.

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