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Japão: plano de investimentos de US$ 2,3 trilhões divide economistas sobre disciplina fiscal

O plano de investimentos de US$ 2,3 trilhões anunciado pela primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi gerou reação mista entre economistas, que questionam se a iniciativa conseguirá impulsionar o crescimento sem comprometer a disciplina fiscal.

Na quarta-feira, 24, Takaichi apresentou um programa que prevê 370 trilhões de ienes (US$ 2,287 trilhões) em investimentos combinados, públicos e privados, até o ano fiscal encerrado em março de 2041. O detalhamento da participação de cada lado, no entanto, ainda não está claro.

A estratégia de longo prazo abrange 17 setores considerados críticos para o crescimento econômico e a segurança do Japão, como inteligência artificial, cibersegurança, energia e indústria farmacêutica. Do total, 101,6 trilhões de ienes seriam destinados a IA e semicondutores.

Takaichi vem defendendo a necessidade de elevar o potencial de crescimento do país, que tem sido fraco há anos. "As forças estruturais do Japão - refletidas em indicadores como inovação tecnológica e eficiência do trabalho - são plenamente competitivas com as de outras nações", disse ela ontem. "O que falta é investimento doméstico."

Takuji Aida, economista do Crédit Agricole, avalia que o pacote pode estimular o investimento das empresas e, com o tempo, ajudar a economia a concluir sua saída de décadas de estagnação até 2028. Outros analistas, porém, duvidam que a lacuna de investimentos possa ser preenchida sem efeitos colaterais.

Supondo que o governo desembolse 10 trilhões de ienes por ano e que a inflação fique em média em 2%, os gastos totais do ano fiscal de 2027 ao de 2040 chegariam a cerca de 160 trilhões de ienes - o equivalente a 43% do projeto de 370 trilhões de ienes -, afirmou Takahide Kiuchi, economista do Nomura Research Institute.

"Uma intervenção estatal desse porte no investimento privado pode distorcer a dinâmica de mercado e aumentar a probabilidade de fracasso se os dois setores alocarem capital em áreas pouco lucrativas", disse Kiuchi, ex-integrante do conselho do Banco do Japão. "Além disso, pode enfraquecer a posição fiscal do país."

As preocupações com o enorme estoque da dívida pública japonesa vêm sacudindo o mercado de títulos há meses, e a orientação fiscal expansionista de Takaichi não ajudou a reduzir a ansiedade - ainda que alguns considerem exagerada a reação do mercado e defendam que o país esteja em situação fiscal melhor do que a de muitas economias avançadas.

Os rendimentos dos títulos do governo japonês vêm em trajetória de alta, em parte pelo temor de afrouxamento fiscal, com o papel de referência de 10 anos tendo atingido no mês passado máxima de quase 30 anos, a 2,8%.

"É provável que as preocupações com o agravamento da situação fiscal do Japão persistam no mercado de JGBs por algum tempo", disse Koji Hamada, economista da Daiwa Securities.

Embora diferentes setores exijam níveis distintos de apoio do governo - com semicondutores e centros de dados em nuvem demandando o maior volume de recursos -, mesmo áreas menos intensivas em capital provavelmente dependerão de financiamento de longo prazo, disse o economista.

Independentemente do resultado final dos investimentos, o plano tende a implicar aumento inevitável na emissão de novos títulos do governo, afirmou ele. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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