0

Diário de Notícias

DN.

Ibovespa se aproxima dos 200 mil pontos com 18º recorde no ano

O Ibovespa ficou bem perto de cumprir ainda em meados de abril a "profecia" dos 200 mil pontos - que diversas casas aguardavam para o fim do ano - ao tocar, nesta terça-feira, os 199.354,81 pontos na máxima, estabelecendo assim novos recordes, tanto no intradia como para o fechamento, pela quinta sessão consecutiva. Ao fim, o índice da B3 marcava nesta terça-feira 198.657,33 pontos, em alta de 0,33%, tendo saído de mínima na abertura aos 198.001,48 pontos.

Na semana, em duas sessões, o Ibovespa agrega 0,68% e, no mês, avança 5,97%, colocando o ganho do ano a 23,29%. O giro financeiro foi a R$ 32,9 bilhões no pregão desta terça.

Com o prosseguimento da tendência de devolução de prêmios de risco, que foram sendo acumulados desde o início de março com a eclosão da guerra no Irã, o dólar permaneceu abaixo da linha psicológica de R$ 5 pelo segundo dia, nesta terça a R$ 4,9938, em leve recuo de 0,06% no fechamento do câmbio. O petróleo, por sua vez, cedeu 4,6% em Londres e em cerca de 7,9% em Nova York, considerando os contratos futuros mais líquidos do Brent e do WTI, pela ordem. Dessa forma, Petrobras destoou nesta terça do avanço observado entre as demais blue chips, com a ON em queda de 4,44% e a PN, de 3,82%, no encerramento da sessão na B3.

Principal papel do Ibovespa, Vale ON subiu nesta terça 1,08% e os ganhos, entre as maiores instituições financeiras, chegaram a 2,55%, em Banco do Brasil ON. Na ponta ganhadora do índice, Cogna (+4,79%), Localiza (ON +4,47%, PN +4,67%) e Rumo (+4,19%). No lado oposto, além das duas ações de Petrobras, destaque também para Braskem (-2,58%) e Prio (-2,57%). Com a sessão desta terça, o Ibovespa estende a série de altas pela 11ª sessão, tendo renovado recordes em 18 ocasiões em 2026.

Os mercados ainda reagem, fundamentalmente, à perspectiva de que se possa alcançar paz mais duradoura no Oriente Médio, com a possibilidade de retomada de diálogo e negociações que haviam fracassado no último fim de semana, entre EUA e Irã, no Paquistão, aponta Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. "Esse movimento é o que derruba as cotações do petróleo para baixo de US$ 100, suaviza as curvas de juros, enfraquece o dólar globalmente e favorece ativos de risco, com destaque ainda para o Brasil que tem se beneficiado fortemente do fluxo externo", acrescenta.

No fechamento da sessão de Nova York (Nymex) e ICE (Londres), o Brent para junho marcava nesta terça US$ 94,79 e o WTI de maio, US$ 91,28.

"Há a expectativa para a retomada dessas conversas, o que já animava os mercados na tarde de ontem, com melhora no desempenho dos ativos", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. "Dia de hoje só não foi melhor na B3 porque as ações de Petrobras se ajustaram ao petróleo", acrescenta o analista, destacando também o enfraquecimento global do dólar com a relativa diminuição na percepção de risco geopolítico e, também, a leitura abaixo do esperado para o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos EUA referente a março.

Por sua vez, no Brasil, dados do IBGE sobre a atividade de serviços em fevereiro, apesar do patamar recorde, mostraram crescimento na margem e na comparação ano a ano que não entra em conflito com a perspectiva de redução da Selic, ainda que gradual, aguardada para o ano. "Apesar de a leitura de serviços não contribuir para um ciclo mais vigoroso de cortes de juros, melhora a perspectiva de continuidade da redução da Selic, mesmo que em ritmo contido", diz Spiess.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.