A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta sexta-feira, 31 que as políticas de austeridade e a agenda de reformas do presidente argentino, Javier Milei, ajudaram a recompor a confiança do mercado em um país marcado por episódios de inadimplência da dívida soberana.
Em visita ao país, Georgieva disse ver a Argentina em condições de cumprir seus compromissos. Maior devedora do Fundo, com cerca de US$ 58 bilhões em empréstimos em aberto, a Argentina terá um ciclo relevante de pagamentos a partir do próximo ano, em meio ao período em que Milei deve buscar a reeleição.
"A Argentina está em uma posição muito mais forte, e isso é resultado do trabalho duro do governo e da perseverança e do sacrifício do povo argentino", disse Georgieva em entrevista coletiva ao lado do ministro da Economia, Luis Caputo. "O que temos hoje é um cenário muito mais saudável", disse Georgieva. "A confiança do mercado voltou."
A dirigente também disse não ver necessidade de novos desembolsos do FMI antes da eleição presidencial de 2027. "Podemos estar no caminho certo para que a Argentina entre no grupo de mercados emergentes que tomaram empréstimos do Fundo, reformaram suas economias e não tomaram mais empréstimos", afirmou.
A perda de apoio elevou dúvidas sobre a reeleição em 2027 e alimentou incertezas sobre a continuidade do programa econômico em um eventual novo governo. Questionada sobre esse cenário, Georgieva disse que os riscos são melhor administrados com "políticas sólidas durante o tempo que temos agora... políticas que inspirem confiança entre a população do país e a comunidade internacional".
Ela acrescentou que a Argentina ainda precisa avançar em áreas como construção civil, ampliação do crédito para pequenas empresas e financiamento imobiliário, além de reduzir a informalidade no mercado de trabalho.
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