*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
A Justiça de São Paulo tornou réu um capitão da Polícia Militar acusado de estupro de vulnerável contra a enteada, uma adolescente de 15 anos. A decisão, definida em 2 de março, dá início à ação penal contra o oficial, que também é investigado por perseguição e violência doméstica contra a ex-mulher. A defesa do policial não foi localizada. O espaço segue aberto.
O caso tramita sob sigilo e envolve relatos de abusos que teriam ocorrido ao longo de cinco anos, período em que o militar esteve casado com a mãe da vítima. Nos documentos, ao qual o Estadão teve acesso, o oficial é descrito nos autos como um homem "violento e vingativo".
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Corregedoria da PM acompanha o caso para adoção de medidas administrativas cabíveis em relação ao capitão.
Fotos, vídeos e ameaças
As denúncias de abuso sexual contra a menor vieram à tona em fevereiro de 2025. Segundo os registros policiais, a mãe da jovem soube do ocorrido durante uma audiência quando o pai biológico da menina revelou que ela vinha relatando abusos praticados pelo padrasto.
Em março, a adolescente relatou ter recebido mensagens de um número desconhecido com fotos de órgãos genitais. De acordo com o depoimento, a vítima reconheceu as vestimentas e características físicas do agressor nas imagens.
Nos depoimentos prestados à Delegacia de Defesa da Mulher, a ex-mulher do militar também relatou um histórico de violência psicológica. Segundo ela, o oficial utiliza vídeos gravados há anos para ridicularizá-la publicamente. O material, afirma, seria editado e manipulado com o objetivo de atingir sua honra.
A vítima relatou ainda que, durante o convívio, era agredida fisicamente e forçada a manter relações sexuais enquanto chorava, sob o argumento do agressor de que sua tristeza o "excitava".
Diante das acusações, a Justiça determinou medidas protetivas em favor das vítimas. O capitão da Polícia Militar está proibido de manter qualquer tipo de contato ou aproximação com a ex-mulher e a enteada, devendo respeitar uma distância mínima de 300 metros.
O militar ainda não é réu pelos crimes de perseguição, injúria e violência doméstica denunciados pela ex-mulher.
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