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Câmara dos EUA aprova orçamento de defesa de mais de US$ 1 trilhão — o maior da história

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta semana, sua versão do projeto de Lei de Autorização de Defesa Nacional (National Defense Authorization Act – NDAA) para o ano fiscal de 2027, autorizando cerca de US$ 1,15 trilhão em gastos militares — o maior orçamento de defesa da história do país. A proposta foi aprovada por 216 votos a 212, em uma votação marcada por forte divisão partidária e intensos debates sobre os custos da política externa norte-americana e da guerra envolvendo o Irã.


O projeto prevê recursos para ampliar a modernização das Forças Armadas, fortalecer a capacidade militar dos Estados Unidos diante da crescente rivalidade com a China e manter investimentos em programas estratégicos de defesa, incluindo sistemas de mísseis, construção naval, tecnologia espacial e inteligência artificial aplicada ao setor militar. O texto também autoriza reajustes salariais para militares, que podem chegar a 7% em algumas categorias, além de novos investimentos em infraestrutura e equipamentos.


A votação ocorreu em meio a um cenário de elevada tensão geopolítica. Parlamentares republicanos defenderam que o aumento dos gastos é necessário para garantir a superioridade militar americana e responder aos desafios impostos por adversarios estratégicos, como China, Rússia, Irã e Coreia do Norte. Já a oposição democrata criticou o volume recorde de recursos destinados à defesa, argumentando que o país enfrenta prioridades domésticas urgentes e que os custos da recente guerra envolvendo o Irã já pressionam as contas públicas.


Além do orçamento militar, o projeto incorpora dispositivos que ampliam a cooperação entre o Pentágono e Israel, medida que também gerou críticas de parlamentares democratas diante da escalada do conflito no Oriente Médio. O texto ainda reúne outras propostas defendidas pela maioria republicana, tornando a tramitação mais controversa do que em anos anteriores, quando a aprovação da NDAA costumava ocorrer com amplo apoio bipartidário.


Apesar da aprovação na Câmara, a proposta ainda precisa superar um caminho legislativo complexo. O Senado trabalha em uma versão própria da NDAA e democratas já demonstraram resistência ao texto aprovado pelos deputados. Antes de seguir para sanção presidencial, as duas Casas do Congresso precisarão negociar uma versão comum do projeto, processo que poderá alterar parte das previsões orçamentárias e de política de defesa.


Caso seja aprovado em sua forma final, o orçamento consolidará um novo recorde de gastos militares dos Estados Unidos, reforçando a estratégia do governo de ampliar investimentos em defesa em um período de crescente instabilidade internacional. O debate também evidencia o desafio de equilibrar prioridades militares, responsabilidade fiscal e disputas políticas internas, temas que deverão permanecer no centro das discussões em Washington nas próximas semanas.

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