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Brasil prepara dois supercomputadores e quer entrar na elite mundial da inteligência artificial

Brasil prepara dois supercomputadores e quer entrar na elite mundial da inteligência artificial

O governo federal anunciou um pacote de R$ 2,5 bilhões para construir a infraestrutura de computação que o país considera indispensável para desenvolver inteligência artificial em território nacional. O centro do plano são dois grandes ativos de processamento: um supercomputador no Rio Grande do Norte e um centro de dados de alto desempenho no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de agosto, no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN), onde ficará a primeira das máquinas.

O equipamento potiguar deve consumir cerca de R$ 1 bilhão e terá capacidade de 7,2 petaflops em precisão FP16, o formato numérico usado no treinamento de modelos de aprendizado de máquina — o equivalente a 7,2 quintilhões de operações por segundo. São mais de 50 mil núcleos de processamento e um consumo estimado em torno de 4 megawatts, o que exigirá soluções específicas de energia e refrigeração. A segunda frente é um centro no Rio de Janeiro, viabilizado por uma parceria de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos com a chinesa Huawei e a iFlytek, com entrada em operação prevista para 2027.

O pacote não se limita ao processamento. Foram reservados R$ 250 milhões — metade de origem pública e metade privada — para o desenvolvimento de chips de arquitetura aberta em Campinas (SP), iniciativa com horizonte de 10 a 15 anos e voltada a reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros de semicondutores. Outros R$ 50 milhões vão para a criação de um centro de transparência algorítmica, encarregado de auditar sistemas automatizados de decisão.

Os investimentos integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê aproximadamente R$ 23 bilhões até 2028 em pesquisa, formação de pessoal, infraestrutura e inovação. A aposta é que capacidade computacional própria permita treinar modelos com dados brasileiros, em português, sem enviar informações sensíveis para servidores no exterior — condição que o governo trata como questão de soberania digital. Especialistas ponderam, no entanto, que a escala anunciada ainda é modesta diante dos maiores centros dos Estados Unidos e da China, e que o desafio seguinte será garantir energia, manutenção e pessoal qualificado para operar a estrutura.

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