A Casa Branca recuou nesta sexta-feira, 11, da possibilidade de declarar emergência nacional para conseguir verba para erguer um muro na fronteira com o México. O presidente Donald Trump não descartou a ideia, mas afirmou que, ao menos agora, não deverá realizar a manobra - o que faria com que os recursos direcionados a outras áreas do governo fossem usados para a construção do muro à revelia do Congresso.

O impasse em torno do tema faz a paralisação parcial do governo americano, chamada de "shutdown", ter chegado ao 21º dia hoje, alcançando a mais longa da história dos Estados Unidos até hoje, de 1995. Ao menos 800 mil servidores federais são afetados - cerca de 420 mil trabalham sem receber salários e os demais estão em casa, também sem receber o pagamento.

O recuo na ameaça de declarar emergência nacional e confrontar diretamente os democratas foi estimulado pela resistência que Trump enfrentou no próprio Partido Republicano. Não há sinal, contudo, de como Trump e os democratas chegarão a um acordo sobre a exigência de US$ 5,7 bilhões no orçamento federal para a construção do muro. A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, afirmou que não tem sofrido pressão de seu eleitorado para ceder. Segundo ela, os eleitores democratas pedem que o partido siga firme.

Enquanto deixa o terreno preparado para uma eventual declaração de emergência, a Casa Branca estuda usar os fundos destinados para desastres naturais como opção de financiamento do muro fronteiriço. Duas fontes ouvidas pelo jornal Washington Post disseram hoje que o governo pediu ao Corpo de Engenheiros do Exército que determine como contratos imediatos podem ser assinados para o uso dessa verba, destinada, por exemplo, para locais afetados por incêndios e tufões, para a construção do muro. O governo quer que a construção seja iniciada dentro de 45 dias.

A verba atual no fundo aprovada pelo Congresso no ano passado é de US$ 13,9 bilhões. O dinheiro, que não foi usado, estava destinado a projetos de construção civil, como formas de contenção de inundações.

Os EUA já sentem os efeitos da paralisação do governo com serviços federais suspensos ou com atendimento reduzido - isso inclui, por exemplo, serviços de patrulha nos parques federais e no atendimento em aeroportos. Um terminal do Aeroporto Internacional de Miami, na Flórida, ficará fechado de hoje até segunda-feira para compensar a ausência de alguns trabalhadores da Administração de Segurança dos Transportes. Agentes de imigração que trabalham nos aeroportos têm se queixado a passageiros sobre estarem trabalhando sem receber o salário.

Os principais sindicatos do transporte aéreo, entre eles os de pilotos, tripulação e controladores aéreos, denunciaram que a situação está piorando, e advertiram sobre o risco que isso impõe à segurança do país.

Na quinta-feira, servidores federais protestaram do lado de fora do Capitólio e da Casa Branca - as manifestações ocorreram também em outras cidades. Os cartazes dos manifestantes traziam imagens pedindo "Congresso, faça o seu trabalho para que possamos fazer o nosso", "Trump, encerre o shutdown" e "Meu locador está ligando e eu preciso pagar o aluguel".

"A paralisação está prejudicando nossas famílias, nossas comunidades", afirmou Lee Saunders, representando a AFSCME, associação de trabalhadores que tem 3 mil servidores federais filiados. Sanders disse que os servidores não mereciam ser tratados como bode expiatório dos políticos.

Trump visitou na quinta-feira a área de fronteira com o México para chamar atenção para o que classificou no Twitter como uma "invasão" de imigrantes. Ele chegou a dizer que os servidores precisam ter em consideração de que o que está em jogo é um "propósito maior", ao falar sobre a paralisação dos pagamentos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.