Indicadores econômicos e notícias positivas deram condição para o Índice Bovespa marcar sua terceira alta consecutiva nesta quinta-feira, retomando o patamar dos 100 mil pontos. Por aqui, a aceleração maior que o esperado da economia foi o destaque do dia, que contou ainda com sinais de melhora no ambiente político e maior expectativa de avanço nas reformas. No exterior, os sinais de entendimento entre Estados Unidos e China deu impulso às bolsas americanas e europeias, com reflexo direto nas ações brasileiras. Nesse ambiente favorável à tomada de risco, o Ibovespa terminou o dia aos 100.524,43 pontos, em alta de 2,37%.

A alta de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre surpreendeu boa parte do mercado, onde havia estimativas até mesmo de queda da atividade econômica brasileira. O dado reverteu a queda de 0,1% do primeiro trimestre do ano e veio acima da variação positiva de 0,2% apontada pela mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast. A aceleração beneficiou principalmente os papéis de consumo e varejo, como Magazine Luiza ON (+6,73%), Lojas Americanas PN (+4,53%) e Via Varejo (+4,43%).

Do lado da influência externa, foi positiva a recepção às afirmações da China de que o país continua "em comunicação efetiva" sobre a atual disputa comercial com os Estados Unidos, e que os dois países estão em discussões para continuar adiante com as negociações marcadas para setembro. Além disso, o porta-voz chinês Gao Feng disse que "as contramedidas" já adotadas pelo lado chinês "são suficientes", reforçando o bom humor nos mercados internacionais. Os índices internacionais de commodities reagiram com altas expressivas e, por aqui, as ações de Petrobras e Vale fecharam com altas superiores a 3%.

Para Ariovaldo Ferreira, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor, a alta do Ibovespa nos últimos três pregões é uma recuperação pós-realização de lucros, com ênfase em papéis que estavam muito atrasados. É também o caso das ações dos bancos, que subiram no pregão, embora em ritmo inferior aos ganhos do Ibovespa.

"Muitos investidores seguem comprados em ações de empresas que divulgaram balanços positivos, mas que foram atropelados pelos fatos externos das últimas semanas. São papéis cujos preços ainda não representam os resultados mostrados nos balanços", afirma.

Ferreira ressalta ainda a melhora no ambiente político doméstico, com a menor repercussão das queimadas na Amazônia e até mesmo com as sinalizações mais pacíficas na relação do presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.