O executivo Paulo Zottolo esteve a frente de grandes multinacionais como Nivea e Philips, mas ficou conhecido nacionalmente depois de um comentário infeliz em relação ao Estado do Piauí. Em entrevista concedida em 2007, ele afirmou que se o Estado deixasse de existir ninguém ficaria chateado. Na época, a comoção foi geral. Doze anos mais tarde e com alguns negócios engatilhados, ele decidiu voltar ao assunto para colocar uma pá de cal no episódio. "Foi o maior tropeço da minha vida", avalia Zottolo.

Para ele, a polêmica não o afetou profissionalmente, mas arranhou sua imagem na sociedade. "A repercussão dentro da Philips não foi grande, mas no País fui considerado uma pessoa preconceituosa, o que não sou." Hoje, olhando para trás, ele avalia que o episódio o ajudou a crescer pessoalmente. "Quando você tem muito poder, você acha que é o dono da verdade, é prepotente. Mas aqui ninguém é melhor que ninguém."

Para virar a página, o executivo quer visitar o Piauí, se encontrar com o governador e falar na Assembleia Legislativa para - novamente - pedir desculpas públicas. Na época, Zottolo tentou se retratar por meio de publicações nos principais jornais da região e diretamente com o governador Wellington Dias (PT). Agora, num momento em que a sociedade está dividida, ele viu oportunidade de voltar ao tema e levantar uma bandeira branca.

"O Brasil vive hoje uma forte polarização. Vejo uma raiva muito grande entre as pessoas, como nunca tinha visto enquanto morava aqui. Antes o Brasil era simpático", diz ele. Zottolo fez parte do movimento Cansei - uma espécie de Vem pra Rua pré-redes sociais -, em oposição ao governo Lula. "Foi um movimento certo na hora errada. Hoje a sociedade sabe o poder que tem. Naquela época, não sabia."

Desde 2010, o empresário vive em Miami, no Estados Unidos. Um ano após a declaração polêmica sobre o Piauí, o executivo foi substituído na presidência da Philips. Depois disso, teve uma rápida passagem por uma empresa de eventos e entretenimento até decidir se enveredar pelo mundo do empreendedorismo. Em Miami, criou uma empresa de bebidas, vendida há dois anos.

De lá para cá, Zottolo deu consultoria, criou uma empresa de sorvetes que ainda será lançada nos Estados Unidos e está montando um fundo de venture capital com três sócios: uma brasileira, um americano e um inglês. O objetivo é captar entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões para investir em startups no Brasil e em Israel.

O processo de captação já foi iniciado e a expectativa é começar a operação entre outubro e novembro. "Recentemente participei de um evento de startup em Florianópolis e vi muita qualidade nos novos empreendedores brasileiros."

O empresário também quer ampliar sua atuação em palestras e consultorias no Brasil - atividade que já exerce nos Estados Unidos. "Há muitas empresas que querem e têm potencial para entrar no mercado americano. Posso contribuir bastante nesse aspecto."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.