Enquanto a Câmara não reabre a sessão para a discussão e votação dos destaques à reforma da Previdência, o gabinete do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), registra uma movimentação de entrada e saída de deputados, e também de integrantes do governo. Há pouco, chegaram ao local a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, e também o secretário especial adjunto da Previdência, Bruno Bianco.

Mais cedo, Joice afirmou que lideranças estão negociando a retirada de alguns dos 17 destaques que o plenário precisa analisar. Líder do PSB, Tadeu Alencar disse que nenhum acordo foi selado até o momento.

O acerto, segundo ele, seria a oposição abrir mão de destaques e, em troca, o governo aceitaria algumas mudanças. "Mas no fundo não deram muita expectativa", disse Tadeu. Segundo ele, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, também está nas negociações.

O líder do PCdoB, Orlando Silva, disse que a "impressão" é de que a emenda do PDT em torno dos professores "tende a ser aprovada com apoio geral". O destaque busca reduzir de 57 para 55 anos a idade das professoras na regra de transição, cujo pedágio é de 100% do tempo de trabalho que ainda falta para se aposentar.

A avaliação do governo é de que o impacto da mudança seria maior para Estados e municípios. Segundo Maia, mesmo que esse destaque passe em plenário, a aprovação de outras emendas aglutinativas apresentadas pela base compensaria o efeito para os cofres da União.

O vice-líder da Minoria, o petista José Guimarães, saiu do gabinete da presidência da Câmara afirmando que o governo precisa ceder. "Alguém tem que ceder, nós topamos ceder em algumas coisas, mas o governo não cede", disse o deputado, que acredita que o governo não será vitorioso nos destaques como foi na quarta na votação do texto-base. "O dado é o seguinte: o governo teve uma vitória grande, teve. Porém não terá nos destaques", disse. "Nós vamos mostrar para eles que agora era melhor o governo negociar os destaques do que insistir voto a voto", afirmou o petista.