A curva de juros teve nesta terça-feira, 11, nova rodada de alívio de prêmios, que foi mais expressiva nos contratos de longo prazo e, por isso, houve redução da inclinação. As taxas longas foram diretamente influenciadas pelo noticiário político, com mais uma vitória do governo na aprovação do pedido de crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e percepção positiva da reunião de governadores com o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP). O exterior também contribuiu. O anúncio da China de novas medidas para estimular a economia trouxe algum alívio às preocupações com o crescimento global, que favoreceu ativos de economias emergentes.

Nos vencimentos longos, o alívio de prêmios chegou a quase 20 pontos em alguns contratos, como a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que terminou pela primeira vez abaixo dos 8%, em 7,95%, de 8,141% segunda-feira no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 caiu de 7,741% para 7,59%, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 7,141% para 7,06%. O DI para janeiro de 2021 encerrou com taxa de 6,170%, de 6,220% segunda no ajuste.

Os dois principais eventos em Brasília que mobilizaram as atenções do mercado foram considerados positivos e uma prova de que o vazamento de supostas conversas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores do Ministério Público Federal não está interferindo na agenda econômica. "É o segundo dia após o vazamento sem danos concretos e o day after com o congresso funcionando. O pacote anticrime parece ter subido no telhado, mas se não tiver contágio na pauta econômica, é vida que segue", disse a gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patricia Pereira.

O foco de atenção agora é o parecer do relator, esperado para quinta-feira. "As indicações de Moreira são de que texto será robusto, mas tudo a conferir. O que joga contra o andamento da reforma agora é o calendário apertado. Mas se conseguirem incluir Estados e municípios na reforma, um novo atraso é um problema menor", disse Patricia.

No fim da tarde, porém, o ambiente era de maior cautela, com a oposição defendendo adiamento da leitura do relatório e o presidente da Comissão Especial, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmando que ia conversar com os líderes para avaliar tal possibilidade. No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça confirmou audiência com o ministro Moro para o dia 19.

Além do cenário político e do exterior, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, diz que a curva longa também tem sido pressionada pela redução das expectativas de inflação, traduzidas no comportamento da inflação implícita das Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) de longo prazo. "A implícita dos papéis longos está abaixo de 4%. O mercado aumentou a probabilidade de corte da Selic na curva e, ao mesmo tempo, vê, mesmo nesse ambiente de juro mais baixo, a inflação aquém da meta", disse, lembrando que o discurso do BC é conservador quanto ao afrouxamento monetário.