A trinca formada pelos novos estímulos econômicos na China, entendimento entre Estados Unidos e México e otimismo com a aprovação das reformas no Congresso levou o dólar a perder força e encerrar a sessão desta terça-feira, 11, no menor nível em dois meses. Afora um pequeno flerte com a estabilidade na primeira hora de negócios (+0,01%), a moeda americana trabalhou em terreno negativo durante todo o dia, acentuando as perdas ao longo da tarde com acordo partidário para aprovação de crédito suplementar na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e o anúncio de acordo entre Petrobras e Cade para venda de refinarias da petroleira.

Com máxima de R$ 3,8843 e mínima de R$ 3,8431, o dólar encerrou o pregão em queda de 0,88%, a R$ 3,8496 - o menor valor de fechamento desde 10 de abril (R$ 3,8234). Segundo operadores, caso não haja um revés do governo no Congresso ou uma onda de aversão ao risco com tensões comerciais sino-americanas, o dólar tende a se manter girando entre R$ 3,85 e R$ 3,88, com viés de queda.

Para a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, os fatores externos foram preponderantes para o fortalecimento do real nesta terça-feira. "A tendência global ditou o rumo dos negócios. A questão interna, com a reunião dos governadores a favor da Previdência e a aprovação do crédito suplementar trouxeram bom humor e contribuíram para essa queda do dólar", diz Fernanda.

Reunidos em Brasília nesta manhã com o relator da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), governadores pleitearam a manutenção de Estados e municípios no texto da reforma, embora desejam algumas mudanças no projeto. O governador de São Paulo, João Doria, era dos mais entusiasmados no apoio à PEC. No fim da tarde, o PSDB, partido de Doria, fechou questão a favor da reforma da Previdência.

O otimismo com a agenda reformista ganhou força à tarde quando um acordo entre partidos e o governo Jair Bolsonaro levou a aprovação relâmpago de crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões na CMO (o projeto será apreciado em sessão conjunta do Congresso). A leitura de que já há um canal de interlocução política mais azeitado entre Planalto e parlamentares dá força à sensação, cada vez mais crescente nas mesas de operação, de que a reforma da Previdência será aprovada no plenário da Câmara antes de agosto.

"O mercado está novamente 'comprado' na ideia de que vai ter uma reforma da Previdência com economia forte com aprovação no plenário do Senado em julho. Parece que entramos de novo no modo 'vai dar tudo certo'", afirma a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, ressaltando que investidores parecem "dar de ombros" a riscos de estresse político, algo que se torna evidente pelo fato da reação amena ao constrangimento do ministro da Justiça, Sergio Moro, após divulgação de supostas mensagens trocadas por ele, ainda na condição de juiz, com procuradores da operação Lava Jato.