O deputado Paulo Pereira da Silva (SD/SP) defendeu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a retirada da proposta de reforma da Previdência dos dispositivos que vinculam as regras para os servidores federais ao funcionalismo dos Estados e municípios na comissão especial.

Com críticas diretas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que não vai votar essas mudanças, que afetam servidores, professores e policiais, enquanto o governador do seu Estado fica "lá numa boa" fazendo campanha para a Presidência da República.

"De jeito nenhum vamos fazer essa reforma aqui em Brasília", disse Paulo Pereira, ressaltando que os governadores têm falado mal da reforma. "Eles que façam a reforma lá nas assembleias", disse.

O deputado afirmou que conversou com o presidente Jair Bolsonaro sobre a retirada desses pontos. Segundo o deputado de São Paulo, o presidente lhe disse que é favorável à devolução para os Estados e municípios a tarefa de fazer as suas reformas. "Não aceitaremos a reforma. Temos que cuidar aqui a reforma do Brasil", disse.

Paulo Pereira da Silva também disse que na comissão especial o Solidariedade não vai aceitar as mudanças na aposentadoria rural, BPC (benefício assistencial para idosos), aposentadoria das professoras e abono salarial.

"Não concordamos que professoras e professores tenham a mesma idade de aposentadoria (60 anos)", defendeu.

Para ele, foi uma vitória inédita a retirada de pontos da proposta da PEC na PEC. O seu partido integra o Centrão, que comandou essa articulação de mudança na reforma ainda na CCJ.

O deputado Geninho Zuliani (DEM-SP) defendeu a manutenção dos dispositivos da reforma que alcançam Estados e municípios. "Precisamos sim (desses dispositivos) que os governadores parem de enganar o povo", disse Geninho.

"Não adianta ser tigrão em Brasília e tchutchuca nos Estados", disse o deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), endossando a reclamação da postura dos governadores sobre a reforma.