O Ibovespa abriu o pregão em alta, animado por fatores eleitorais internos, e vai se sustentando com a virada dos mercados acionários dos Estados Unidos, que passaram a operar no positivo. Por aqui, o movimento de correção às perdas de quase 3% do pregão da véspera ocorre agora em um ambiente de recuo do dólar.

Às 10h09, o índice da Bovespa à vista subia 0,67%, aos 84.235,58 pontos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subia 0,15%, o S&P500, 0,11% e o Nasdaq, 0,46%.

Mais cedo, antes mesmo da abertura da sessão regular, o humor dos investidores do mercado acionário dos EUA chegou a melhorar após dados de inflação mais amenos. Aliado a isso, a consolidação do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na frente das pesquisas de intenção de voto para a Presidência, abriu espaço para a alta do Ibovespa.

O ambiente mais animado também embala a melhora dos papéis de estatais, que na quarta sofreram diante do discurso menos liberal de Bolsonaro sobre a privatização.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,1% em setembro na comparação com o mês anterior com núcleo do dado, que exclui alimentos e energia, teve ganho de 0,1%. Ambos os dados vieram menores que as estimativas e sugerem que as pressões inflacionárias seguem sob controle, enquanto o dólar forte contém os preços de importados e os custos com energia recuaram.

No front externo as cotações do petróleo no mercado internacional operavam em queda mais perto de 2% pressionados pela preocupação de desaceleração do crescimento econômico mundial, o que poderia reduzir a demanda pela commodity, e também pelas projeções de aumento do volume estocado de petróleo bruto. Por outro lado, o minério de ferro fechou em alta de 0,22% no porto de Qingdao, na China.

"O mercado doméstico está olhando meio de soslaio para o exterior e, a depender de lá, terá ou não força para andar aqui", afirma Luiz Mariano De Rosa sócio da Improve Investimentos, ressaltando que Bolsonaro na frente das pesquisas segue animando os investidores mesmo que esteja se mostrando agora mais avesso tanto a uma reforma da Previdência mais profunda quanto à extensão do plano de privatização de estatais. "Mesmo falando assim, o mercado ainda vê que ele é melhor que o outro candidato Fernando Haddad, PT."

Pela pesquisa do Datafolha, Jair Bolsonaro tem 58% dos votos válidos e Fernando Haddad tem 42%; os dois acabaram a disputa em 7 de outubro com 46% e 29% dos votos válidos, respectivamente. Os dados da quarta indicam que ambos conseguiram agregar votos de candidatos derrotados no primeiro turno.