Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta terça-feira, 3, em baixa em meio a renovadas tensões comerciais entre China e Estados Unidos, o que acabou afetando, principalmente, papéis de empresas de tecnologia. O otimismo do início da sessão com a política europeia e comentários feitos no dia anterior pelo presidente americano, Donald Trump, foi revertido e, com os negócios reduzidos devido ao feriado do Dia da Independência, as ordens de venda se intensificaram nos minutos finais do pregão.

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,54%, aos 24.174,82 pontos; o S&P 500 caiu 0,49%, aos 2.713,22 pontos; e o Nasdaq recuou 0,86%, aos 7.502,67 pontos. Já o subíndice de tecnologia do S&P 500 fechou em baixa de 1,37%, aos 1.213,80 pontos, sendo o setor com maior desvalorização no dia.

Apesar do pregão resumido na véspera do feriado do Dia da Independência, quando os mercados não operam em solo americano, os negócios saíram do céu de brigadeiro para um mar de cautela à medida que o embate comercial entre EUA e China ganhou novo episódio. O autor do capítulo foi o Tribunal Popular Intermediário de Fuzhou da República Popular da China, que proibiu a venda de chips da Micron em solo chinês, dando continuidade às disputas entre a Micron e a rival taiwanesa United Microelectronics (UMC).

As ações da Micron despencaram 5,51% e puxaram outras techs, fazendo com que o Nasdaq apresentasse a maior perda entre os três principais indicadores acionários americanos. A Apple caiu 1,74%, a Amazon recuou 1,16% e o Facebook cedeu 2,35%, após representantes do FBI e da SEC se juntarem ao Departamento de Justiça (DoJ) e à FTC em investigações sobre o compartilhamento de dados de usuários da plataforma com a empresa de análise de dados Cambridge Analytica.

Na avaliação do analista Madhur Jha, do Standard Chartered, o aumento das tensões comerciais e a imposição de tarifas entre os principais países do mundo "representam uma ameaça para as perspectivas de comércio global e para as nossas perspectivas de crescimento global de 4,0% neste ano". Jha comentou, ainda, que a maioria das tarifas impostas pelos EUA e das contramedidas implementadas pelos parceiros comerciais só devem entrar em vigor no segundo semestre do ano, "potencialmente ameaçando o crescimento mais fraco do volume de comércio".

Além de poder barrar operações de empresas americanas em solo chinês, Pequim tem outras ferramentas no embate com os EUA, como o câmbio. Nesta terça-feira, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) voltou a fixar o yuan 0,51% mais fraco em relação ao dólar na taxa de paridade, no menor nível desde agosto. A moeda chinesa despencou no mercado offshore, mas voltou a apresentar leves ganhos após o presidente do PBoC, Yi Gang, afirmar que está "monitorando de perto" os movimentos do mercado de câmbio e que deseja deixar o yuan estável em um nível "razoável".